Tuesday, August 21, 2018

Um valvulado mais simples

Post 54 - Guibson Falcon - controle de tonalidade, jacks e o que não está nos livros

  No amplificador anterior (com 6L6) eu usei um controle de tonalidade estilo Baxandal que acho mais eficaz do que o tone stack que é o mais usado em amplificadores de guitarra, no entanto o baxandal rouba mais volume entre o sinal que entra e o sinal na saida depois dos potenciômetros porque estes estão mais separados (não estando em serie) e assim baixam a impedância.

  No tone stack estão um por cima do outro como se fosse apenas um grande poteciômetro com divisões, 3 divisões quando se quer ter graves, médios e agudos, e ai os médios nem sempre funcionam bem. O médio aqui já foi separado estando no circuito anterior do mid-scoope justamente para se ter uma atuação melhor. Tem-se então duas divisões.

  Estando um por cima do outro (tipo em serie jogando para o terra) a impedância é mais alta entre o sinal e o terra (não matando tanto o sinal) e neste pré por ter apenas uma válvula (dois estágios ativos) é necessário não perder ganho.

Funcionamento

  O capacitor C5 na realidade não é necessário no circuito, mas se ele for excluido o demais capaciores dos filtros de tom terão que ser todos para alta tensão (acima de 250V) geralmente mais dificeis de encontrar e mais caros. Acho que já falei isso anteriormente e livro nenhum atenta para esse detalhe, nem mesmo os fabricantes de amplificadores. O valor dele deve ser mais alto (47nanofaradys ou maior) para deixar passar bastante as baixas frequências e é o único para alta tensão (400V). Ele barrará a tensão contínua de polarização da válvula deixando passar só o sinal de tensão alternada (assim os outros capacitores não precisão barrar DC).

  C6 deixa passar só os agudíssimos, com 150picofaradys o som fica extremamente brilhante, depende do gosto (220pf ou 250pf adiciona um pouquinho mais de médios). O potenciômetro de agudos, ou colhe só agudos ou atenua (depende da posição do cursor).

  Do lado da atenuação adicionei um capacitor (C8 de 10nF) que geralmente não tem num tone stack. A função dele é tirar completamente o brilho (tal qual quando se tira o brilho no potenciômetro da guitarra (pra quem gosta de tocar Jazz). Assim o potenciômetro terá uma atuação bem eficaz.

  O potenciômetro de grave é o que atua com menos ênfaze, não porque não é possivel ter uma forte acentuação de graves, mas é porque graves demais rebenta alto falantes (ainda mais num combo pequeno). R18 mata um pouco dos graves/médios vindo de C9 jogando o sinal para o terra (um pouco do volume vai junto) e C7 passa mais graves. R17 ajusta o volume do controle de graves em relação ao controle de agudos (diminuindo R17 os graves soarão mais alto).

  A saida do volume pode entrar direto no pino 2, não precisa de R1 e C1 do circuito amplificador (a numeração está separada para a unidade de potência e R1 e C1 estão no desenho da unidade de potência - ver no desenho do post 50 ou 48).
  No caso de ser usada a potência sozinha (sem pré) é conveniente ter R1 e C1. Retirando eles do circuito o ganho aumenta um pouco porque C1 tende a cortar um pouco os graves por ser de baixo valor (além do que, qualquer capacitor em serie com o sinal sempre rouba um pouquinho de volume).
  R1 limita a impedância de entrada se C1 for mantido no circuito, abaixo de 470K começa a se perceber diminuição do volume. Sem C1 o potenciômetro de volume passa a ser quem dita a impedância de entrada.

Jacks isolados do chassi - o que ninguém explica em canto nenhum

  No amplificador anterior (com 6L6) eu usei jacks de entrada isolados do chassi (dificeis de achar para comprar dependendo do modelo que se quer). A razão é que no outro pré tinha-se 4 estágios (duas válvulas) e o ganho era alto demais e era atenuado parte pela serie de resistores de cada estágio para a devidas funções, e parte do sinal era atenuado baixando a impedância jogando o sinal para o terra ( o potenciômetro de volume era de apenas 10K).

   Isso faz com que a entrada fique sensivel a ruido humm se os jacks estiverem diretos no chassi pois haverá um loop entre o terra do chassi no jack com o terra da placa do pré (o terra no jack deveria ser o mesmo da placa do circuito de pré e não o do chassi), é o mesmo terra mas estão em diferentes distâncias em relação ao ponto terra estrela. Pode-se fechar esses dois pontos sem problema desde que os potenciômetros do circuito tenham altos valores de resistência pois baixos valores se terá mais loops ainda.

  Potenciômetros de valores pequenos fechando entre o sinal e o terra (principalmente o de volume), ao fechar o potenciômetro zerando o volume se percebe um leve ruido humm e ao aumentar o volume no máximo se percebe o mesmo humm, porém o ruido some se o potenciômetro não estiver totalmente nos extremos. Neste caso é necessário os jacks isolados do chassi.

  Neste pré a impedância é alta no geral em cada estágio pois é necessário aproveitar todo ganho sem atenuação, assim tem-se uma resistência alta no loop separando o terra do chassi do terra na placa (uma resistência alta entre os dois pontos distantes opostos de terra). Você leitor desse blog, já viu isso em algum livro ou explicado em algum lugar, mesmo escrito em Ingles?


Wednesday, August 8, 2018

Um valvulado mais simples


Post 53 - Guibson Falcon - pré continuação

Seguindo o mesmo desenho anterior
Retificador de sinal

  No pré do amplificador com duas 6L6 esta parte eu fiz um retificador de onda completa com 4 transistores (expliquei o funcionamento), neste para ser mais simples é usado uma retificação de meia onda com apenas dois transistores. A desvantagem é não ter um melhor controle do tempo em que os leds permanecem acessos (o tempo deve ser bem curto).

  O sinal entra no Fet Q2 para amplificar bastante o sinal (igual do outro circuito), os resistores R24, R26 e R28 regulam ou ajustam mais ou menos o controle de tempo e brilho dos leds, sendo R26 que ajusta um pouco melhor o tempo que estes permanecem acesos. R28 ajusta o ganho do BC548 e assim responsavel pelo brilho do led.

  O Fet usado foi o 2sk117 ou 2sk30, se for usado outro fet pode ser que o valor de R26 tenha que ser modificado de forma a fazer os leds acenderem com pouco brilho para que se apaguem rapidamente. Os LDRs a serem iluminados não precisam de leds acendendo tão fortes.

  Depois de C13 a retificação se dá da seguinte forma, o diodo junto ao terra joga os flancos negativos da onda para o terra e os outros diodos deixam passar só os flancos positivos. R29 e 30 são de 10K justamente pra fazer os leds consumirem menos e não acenderem tão fortes.

  Quando há sinal os leds acendem baixando a resistência dos LDRs, O LDR que está em serie com os diodos joga os picos do sinal pra terra fazendo o sinal distorcer, ao ir se apagando o sinal vai limpando se tornando “clean” e assim o efeito é uma especie de simulador de “crunch”.

  O LDR que está em serie com o sinal de feedback vindo do trafo de audio estará com baixa resistência (quando o led acender) deixando passar mais realimentação e assim diminuindo ligeiramente o ganho da potência que vai aumentando a medida que o led for se apagando. O efeito é um pouquinho de sustain nas notas tocadas e sem nenhum ruido quando não há sinal pois atua direto na potência e não no pré.

Chaves mecânicas e pedal

chave crunch/clean - uma chave de um polo por duas posições (pode ser Toggle, HH, ou push-buton) liga ou desliga o led, na posição crunch o led fica ligado e acende conforme o sinal no retificador. Na posição clean o led fica constantemente desligado podendo apenas ser ligado por um pedal externo colocado no jack destinado a esse pedal.

chave liga trêmolo/boost e pedal - outra chave igual liga e desliga a chave eletrônica feita com o fet. Na posição “boost” (ou “fat” ou simplesmente “ganho”) o ganho aumenta como explicado no post anterior, ao mesmo tempo R35 que está na base do transistor de trêmolo fica sem ação pois é desligado do circuito ficando conectado apenas no jack destinado ao pedal.
  Não havendo um pedal conectado, o trêmolo sempre será acionado pelo potênciometro de velocidade.

  Na posição “pedal” o ganho sempre será acionado pelo pedal e sempre que o pedal for acionado para se ter pouco ganho o trêmolo nunca funcionará (estará sempre desligado), porque R35 sempre deligará o transitor de trêmolo pois sempre estará no terra ou no -B. Assim se o potenciômetro de trêmolo estiver ajustado em alguma posição para alguma velocidade, ao se acionar o pedal para maior ganho o trêmolo também passa a funcionar. Para deixa-lo desligado é só deixar o potênciometro fechado.

  Fiz dessa maneira porque o efeito trêmolo só aparece legal com alto volume (e assim com maior ganho), dessa maneira é possivel usar um jack stereo simples (sem chaves) com um fio stereo duas chaves DPDT num pedal controlando 3 coisas ao mesmo tempo dependendo da posição em que se deixa as chaves no painel.

  Os LDRs tem que ser de baixa resistência quando iluminados, os de mais baixa resistência são os 5506 na nomeclatura chinesa (vão de mais ou menos 1K a uns 500K). Os 5516 também funcionam mas enquanto maior o numero (5529, 55xx) terão resistência muito alta no escuro e não tão baixa quando iluminados. Não são componentes que têm muito precisão de valor (a margem de erro é bem alta).


Monday, August 6, 2018

Um valvulado mais simples


Post 52 - Guibson Falcon - chave com fet e chineses FDP

  Chave com o transistor Fet


   O chaveamente ali coloca ou tira o capacitor C11 no circuito, o capacitor em paralelo com o R de polarização da valvula (R4 = 1K5) aumenta ou diminui o ganho do estágio (explicado no post 27).

  Se R21 for aterrado (pela chave ‘boost” no painel), o dreno e o supridouro de Q1 ficam praticamente interligados (com baixa resistência) aterrando o capacitor C11 e assim tendo alto ganho.
  Ao se desaterrar R21 o gate irá receber uma tensão negativa vinda do -B fazendo o dreno e supridouro terem muito alta resistência entre si tirando a ação do capacitor C11.

  A razão da chave ser eletrônica (e não uma chave mecânica direta) é para não haver ruido click na chave. C12 amortece dando um pequeno atraso no tempo de troca entre a acão de se ter terra ou -B na entrada do transistor. R19 polariza o supridouro e R20 e R21 a porta gate. Qualquer fet funciona nesta função mas tem uns fets que não valem nada (ex.. os mpf102, mpf112), variam pouco a resistência interna entre alta e baixa.

  Esta parte do circuito eu copiei exatamente do amplificador Fender Blues Jr, no Blues Jr a chave no painel leva o nome de “Fat”, é tipo uma chave destinada a solo mas não dá tanto ganho assim não (precisaria do circuito repetido no pino 8 na outra metade da válvula). As conexões das chaves mecânicas será explicado num outro post.

  Capacitores eletrolíticos orientais filhos da puta

  O valor de C11 geralmente é de 22uF, a razão de eu usar um valor mais alto é porque os novos capacitores de fabricação oriental (China e demais países de olho puxado) têm todos 10% a 12% menos do valor escrito na peça.
 
  Com exeção dos Panasonics, são eles chichon, nichon, nichicon, rubicon (rubicons até que eram bons) e outros cons, chong, ong e etc (tudo pra confundir) e ai voce não sabe quem é quem.

  O Chinês sabe que 10% a 20% de erro de medida é aceitavel para capacitores eletrolíticos porque antigamente as máquinas não conseguiam produzir com valor exato. Hoje as máquinas têm muita precisão e fabricam com valores exatos, assim eles produzem com um valor exato um pouquinho maior que 10% de erro pra menos no valor do componente, e assim economizam material na fabricação sem ninguem poder reclamar (tá dentro da margem de erro mas o erro é sempre pra menos, uns filhos da puta).

  Podem medir, todos têm 10% a 12% de erro pra menos, essa regra também vale para a tensão marcada no capacitor, assim é melhor colocar C11 de 33uF ou mesmo 47uF (por 16V ali é suficiente).     



Thursday, August 2, 2018

Um valvulado mais simples


Post 51 - Guibson Falcon - pré funcionamento

Com partes do esquema separadamente.


Entradas - pra quem tem dificuldade de visualizar

   Nos estilo dos amplificadores dos anos 60 e 70, duas entradas uma de baixa impedância e outra de alta impedância.

  Originariamente entradas de válvulas têm alta impedância, assim baixar a impedância na realidade é colocar um resistor de baixo valor entre a entrada e o terra fazendo uma combinação em paralelo de um resistor de baixo valor com um “resistor” (que é a impedância de entrada) de alto valor. O resultado de um paralelo é sempre um valor mais baixo que o valor do resistor de menor valor (nem precisava dizer, é a fórmula). De outra forma de ver, é ter um resistor de baixo valor jogando parte do sinal para o terra.

  Os dois jacks são mono chaveados (faceis de achar pra comprar) que mantem as entradas aterradas quando não tem nada plugado.

  Quando se põe um plug na entrada de baixa impedância a chave desse jack abre e o sinal entra por R1, mas a chave do jack da entrada de alta impedância está fechada colocando R2 no terra ao inves de R3. A impedância então passa a ser praticamente o valor de R2 que é um valor baixo.

  Quando se pluga na entrada de alta impedância a chave desse jack abre. A impedância é então praticamente o valor de R3 (1M), a chave da entrada de baixa impedância no entanto está fechada colocando R1 (47K) e R2 (47K) em paralelo sendo o resultado a metade do valor o que faz deixar passar mais sinal ainda para a válvula tendo maior volume.

  Penso que a razão dessas duas entradas é porque antigamente usava-se plugar os Orgãos eletronicos (ainda não haviam sintetizadores) nos amplificadores de guitarra e estes tinham muito volume que era preciso ser reduzido com uma entrada de baixa impedância.

  Se forem plugadas duas guitarras ao mesmo tempo (antigamente as bandas pobres fazia-se isto), as duas entradas permanecem em alta impedância e ganha em volume a guitarra que tiver mais ganho (as duas guitarras entram em paralelo).

  Os valores para R1 e R2 geralmente são de 68K (é o padrão), Sendo de valores menores fará a entrada de baixa impedância ainda mais baixa matando mais ainda o volume de sinal nesta entrada e tendo o volume na entrada de alta ainda mais alto pois passará o sinal com maior nivel devido a um valor menor do paralelo entre R1 e R2.
  R1 e R2 são apenas stoppers impedindo que se injete o sinal diretamente na válvula, 18K ou 22K poderiam ser os menores valores tendo duas entradas, tendo uma entrada só uns 10K poderia ser o menor valor.

  R3 o valor padrão é 1M o que baixa um pouco a entrada da válvula que na realidade é ainda mais alta, sem ele a entrada fica muito sensivel tendendo a captar mais ruido.

  Filtro mid-scoop e controle de médios

  É o mesmo do pré do amplificador com duas 6L6 (posts de 2017), só que ao invés da chave brilho/médios neste será um potenciômetro de médio. Um filtro em ” T ” corta o excesso de médios dosado de certa forma pelo potenciômetro e C2, enquanto C3 deixa passar os agudíssimos (já expliquei o cálculo prático no post 28). R7 é de 82K mas pode diminuir um pouco (até uns 56K) para deixar passar mais nivel de sinal sem muita perda na ação do filtro que está na frente.
  R39 separa o sinal que é enviado para o reverber do sinal que retorna do reverber, 39K já está no mínimo pra não haver mistura.

  Os pontos marcados com letra minúscula “a” e “b” são pontos de conexão para uma plaquinha separada onde estarão os potenciômetros e alguns componentes que não estão na placa principal, a ideia é reduzir a quantidade de fios da placa até os potenciômetros.

continua. . .

Tuesday, July 31, 2018

Um valvulado mais simples


Post 50 -  Guibson Falcon - Circuito quase completo

    Este é o circuito quase completo pois falta o desenho das conexões do lado do primário do transformador (onde estará o protetor de 127V/220V que ainda não resolvi o problema).

     Infelismente estes blogs do google não tem uma especie de lente ou zoom para visualizar melhor (se tem eu não sei como fazer), o desenho está num tamanho de papel “letter” e acredito que está no tamanho certo para imprimir e assim ter uma visualização melhor.


     A partir desse circuito nos próximos posts explicarei o funcionamento de cada etapa e ai o desenho de cada etapa aparecerá maior na tela. Algumas estapas são muito conhecidas pois estão em muitos esquemas encontrados e dispensa maiores detalhes (apesar que muitos nem isso sabem), mas algumas não.

   O intuito desse blog é também pra mim mesmo pois eu mesmo esqueço, as vezes esqueço a teoria, esqueço fórmula básicas, esqueço onde coloquei os desenhos impressos e as vezes dá um pau no HD de um dos computadores e perco tudo, e podem acreditar os pen-drives também dão pau pedindo pra formatar. Assim serve para mim e para quem quizer aprender alguma coisa de eletrônica voltada para guitarras enquanto o Google permitir a existência deste blog (nunca se sabe se um dia eles resolvem acabar com tudo).

  Os desenhos cercados por linhas tracejadas significam que estão em placas separadas, o desenho da unidade de potência tem inclusive a sua númeração própria dos componentes. O desenho do transformador com a fonte também está em placa separada (esqueci de tracejar em volta).

Saturday, July 21, 2018

Um valvulado mais simples


 Post 49 - Guibson Falcon - Detalhes do trafo de força um pouco melhorado

    Hoje em dia esta muito comum usar software de cálculos de transformadores, mas a maioria destes softwares, quem faz o software entende muito mais de programação de computador do que propriamente de cálculos de trafos.

   Eu já usei alguns só para comparação e na maioria das vezes só bate os cálculos das correntes e fios, o resto tem tanta coisa envolvida no projeto de um transformador que os softwares ficam devendo e as chances de se ter um bom trafo são poucas.

    Um trafo para um amplificador valvulado não é um trafo comum, tem certas regras que devem ser mantidas inclusive no número de espiras, seria muita coisa pra explicar sobre transformadores seja no cálculo ou na construção.

    Como eu disse antes no post 42, este trafo para este amplificador é bastante justo no sentido de economia e tamanho pequeno e ainda assim usando uma indução mais baixa pra evitar aquecimento das lâminas por excesso de vibração. O aquecimento virá dos fios (dependendo do ajuste do bias) principalmente do primário e os fios devem ser para 180 graus Celsius de isolamento.

    A tensão de bias será fixada por um dos lados dos 12V AC que retificada estará em torno de apenas uns -13V devido a queda (não mais que uns 30mA por válvula), mais corrente do que isso o trafo ficará subdimensionado e irá aquecer bastante, ainda assim aguenta até uns -10,5V (0,36mA) mas fica muito quente com lâminas comuns, com lâminas GO não aquece muito não. O circuito com as EL84 pode aguentar um bias quente até uns 40mA (mais que isso passa da potência da potência da válvula e ela envermelha), mas ai precisaria de um trafo mais parrudo com lâminas mais largas (com lâminas de 2,8cm e fios mais grossos).
      Aqui vai as correções com alguns detalhes possiveis

  Núcleo

  Lâmina de perna central de uma polegada (2,54cm)
    O empilhamento (antes de 3,9cm) deve ser aumentado para 4,2 a 4,3cm para laminação GNO de preferência recozida (com GO dá pra ser 3,9). Em torno de 1,3Kg de ferro (a fórmula está no apostilão).

    O grande problema de trafos para a energia elétrica brasileira e ter que ser para 127V e 220V o que geralmente exige mais fio e assim lâminas maiores. Nos Estados Unidos por exemplo a tensão é apenas 120V em todo o território, o trafo do Fender Blues jr por exemplo usa este tamanho de lâmina com um empilhamento bem mais estreito.

  Enrolamento - nesta ordem

    1054 espiras, fio 31AWG, 248V, em 9 camadas com papel (0,05mm) a cada duas (em torno de 66 ôhms).

     51 CT 51 espiras, fio 33 AWG, 12V CT 12V, uma camada com espaço entre as espiras.

    511 espiras, fio 26AWG, 120V, em 9 camadas exatas com espiras juntas e mais uma camada com 30 espiras espaçadas para 127V (fio sobre fio sem papel). A opção dos 120V é porque aqui onde moro é 120V.

    396 espiras, fio 29AWG, 93V (para os 220V), em 4 camadas e meia sem papel

    1 camada incompleta de papel aluminio ou folha de cobre para aterramento isolada dos dois lados.
   14 CT 14 espiras, fio 18AWG em uma camada, ou fio 21AWG duplo em duas camadas, 3,3 CT 3,3V.

    Se voce leitor leu em algum lugar na internet que se deve inverter alguns enrolamentos na hora de enrolar, não acredite, é tudo no mesmo sentido.

    Os enrolamentos devem ser feitos bem apertados e pode-se usar uma cola de bastão nos papeis evitando assim durex ou fita crepe envolvendo os enrolamentos (durex só para emendar os papeis). Não se deve dar banho de verniz na bobina pra não fazer lambança, não precisa a menos que se enrolou tudo frouxo. Peso do bobinado em torno de 270 gramas.

    Logicamente precisa de uma pequena máquina para enrolar (pelo menos uma manivela com um eixo), dá pra enrolar na mão mas é bastante trabalhoso.

    O cálculo foi feito de forma que o carretel (feito de papelão) fica completamente cheio entrando justinho na janela. A base da forma (onde se acentam as espiras) deve ser fina (mais ou menos 0,7mm)

  Montagem

    Colocar as lâminas E e I entrelaçadas logicamente, deixar faltando algumas (para não apertar demais), colocar os parafusos (M4 de 5cm cabeça Philips) provisóriamente sem apertar muito, ligar o trafo por um tempo curto o suficiente para testar e conferir as tensões. 

    Retirar os parafusos, colocar as últimas lâminas EI, pincelar bastante com verniz poliuretano as 4 laterais do empilhamento, não estando apertado o verniz tenderá a escorrer por entre as lâminas e é essa a ideia, apertar o parafusos bem apertado agora já com as patilhas L, de preferência com a ajuda daqueles tornos em formato de C (não sei o nome exato da ferramenta) para ajudar a apertar e deixar secar 24 horas com estes tornos.
   
   O uso do verniz (ou a sua quantidade) não é obrigatório, depende da condição das lâminas na hora de apertar, porém ao ir colocando as lâminas em carater definitivo um pingo de verniz na perna central de cada uma ajuda diminuir a vibração delas no meio do núcleo (onde não há parafusos para apertar)

    Cada enrolador de trafo faz de um jeito diferente, já faço isso a décadas e a minha maneira fica perfeito, como se cálcula (pelo menos 3 maneiras diferentes) e como se constroi (tudo com desenhos) estão no meu apostilão “Trafos, o segredo dos mágicos” que para transformar em blog gastariam uns 200 posts pois é sobre trafos de força, de audio e chokes de filtro (com varios exemplos), tem cálculo lá pra tudo.


Thursday, June 28, 2018

Um valvulado mais simples


Post 48 -  Guibson Falcon - Unidade de potência

  Este é o esquema definitivo da potência. A potência funciona bem e “clean”, com e sem realimentação (feedback Fb) vinda do trafo de saida. Sem realimentação há um maior ganho, as más linguas (quero dizer os livros) dizem que um amplificador nunca deve funcionar sem nenhuma realimentação, ou seja completamente aberto pois desgastam as válvulas de saida (um desgaste talvez de 0,0000...00001%), então para não contrariar os livros, põe ali no resistor R5 um resistor de uns 47K ou 100K se quizer um ganho maior, e 15K se se quizer o mesmo valor do circuito original do Falcon.

  No meu circuito o valor será 10K porque terá um LDR iluminado por um led atravez de um circuito vindo do pré que será visto mais tarde.

  O quê que esse LDR tá fazendo ali?

  A ideia em meus amplificadores é sempre ter o melhor som possivel adequado para guitarras, a ideia ali é ter um pouquinho de compressão ou uma especie de “sag” nas notas tocadas pois o som é muito brilhante e estalado, o LDR fará o serviço direto na unidade de potência. No entanto o LDR não está localizado na placa da potência e estará na placa do pré.
  Poderia até ter uma chave de compressão liga e desliga, mas como é muito pouco é melhor ficar ligado direto.

  Devo deixar claro que este caso de realimentação e ganho por ali depende muito do trafo de saida, com outro trafo diferente pode haver comportamento diferente.

  Os capacitores podem ser de cerâmico (geralmente são para 1000V como os que usei) ou de poliester para 450V (tanto faz, não vai dar diferença nenhuma no som). Os resistores alguns podem ser de 1/8W (depende de saber onde), mas quando não marcado no esquema é melhor colocar tudo de 1/4W pelo menos.

  Unidade de potência com trêmolo

  Neste amplificador é muito dificil ter um circuito de trêmolo usando LDR como fiz no amplificador anterior. O pré amplificador só terá uma 12AX7, ou seja apenas dois circuitos ativos e fica muito dificil colocar um LDR atenuando o sinal junto com outros circuitos sem perder volume (falta outra 12AX7 para compensar perdas).

  Neste caso será usado um trêmolo atuando direto no bias do circuito, é mais simples e não perde ganho. A desvantagem é que não dá para ter um ajuste do valor de bias simplesmente girando um trimpot onde ele está na placa sem afetar o trêmolo. O desenho terá que ser modificado, explicarei quando for a vez do desenho do trêmolo.
   
 O trimpot R13 e o resistor R12 simplesmente serão retirados do circuito dando lugar a um simples “jump” (um pedacinho de fio) conectando direto o -Bias nos resistores R10 e R11.

  O desenho da placa é mostrado do lado dos componentes (o traçado de cobre está por baixo) e há um furo a mais onde está o microtrimpot para se fazer o “jump”. A placa serve para montagem com os dois tipos, amplificador com trêmolo ou sem.

  Foi desenhada num software para circuito impresso e quando uso o software nunca sei se o formato salvo em .PNG ou .BITMAP está do tamanho correto, por isso coloco as medidas em centimetros. O desenho deve ser ajustado para as medidas se ao imprimir der um tamanho diferente (eu imprimo direto do software). Em outros desenhos mais simples uso simplesmente o Painter do Windows.

  Na foto R7 está com 3K9 (pois não tinha um 3K3), tanto faz.

  Esta potência usa um divisor de fase com apenas 1/2 12AX7 chamado de "concertina" e já visto como funciona no post 36 de Setembro de 2017, assim sobra 1/2 12AX7 para o amplificador de tensão aumentando o ganho e então da pra fazer um pré só com uma 12AX7.