Wednesday, July 26, 2017

Pré amplificador valvulado tentando sair da mesmice - trêmolo melhorado

Post 32 - Pré de guitarra valvulado com o reverberador com PT2399

  Qual o problema dos trêmolos?

  Quando não é feito jogando um oscilador direto no bias, o circuito o trêmolo é conseguido variando um resistor LDR como se fosse um potenciômetro de master volume. Geralmente um oscilador lento é usado para piscar um Led ou uma lâmpada neon se o circuito oscilador for a válvula (topologia do oscilador chamado ponte de Wien é o mais usado).

  O trêmolo com LDR é mais usado pois não compromete o circuito de bias e neste circuito será usado transistores ao invés de uma 12AX7 só para isso.

  O problema que vejo (ou melhor que escuto) em todos os trêmolos de amplificadores é que o volume cai quando o trêmolo é acionado logicamente por causa do funcionamento que é aumentar e diminuir volume, mas o volume máximo é o que estiver ajustado pelo potenciômetro de volume.

  Assim o volume ouvido é o volume médio entre máximo e mínimo dando a sensação que o volume geral caiu.

  Para melhorar isso adicionei um LDR a mais no circuito de forma fazer aumentar o volume quando o circuito de trêmolo for acionado.

  Funcionamento

   Primeiro tem-se um oscilador formado por um transistor apenas. A ponte são os capacitores C26, C27 e C28 que fazem um defazamento numa realimentação positiva produzindo oscilação (é mais ou menos assim que funciona). Funciona de qualquer jeito mas para um funcionamento mais perfeito os capacitores devem ter seus valores próximos (eletrolíticos costumam dar muita diferença nos valores), valores maiores fazem o oscilador ficar mais lento.


  Quando o potênciometro de velocidade está com máxima resistência o circuito para de oscilar servindo para desligar o trêmolo. Ao mover o cursor diminuindo a resistência o circuito começa a oscilar (enquanto menor resistência mais rápido).

    Um potenciômetro logarítimo reverso (os marcados com letra C) atua melhor pois movendo apenas um pouquinho o circuito já liga, mas na falta de um anti-logarítmo serve um linear (letra B).

     Os valores eu já tinha pronto de algum circuito que não lembro de onde copiei, apenas acrescentei R54 e fiz uma divisão entre R52 e R53 com um capacitor no meio. Isto é apenas uma garantia que algum ruido de oscilação não apareça na linha de sinal. Assim como a alimentação antes da estabilização dos 13V para 10V.

  A diferença está aqui: num circuito simples de trêmolo apenas um transitor com um led é necessário para variar o LDR que atua como um potenciômetro conectado como resistor variavel.

    Aqui no entanto um segundo LDR atua diminuido a resistência em paralelo com R44 deixando passar mais volume de sinal, mas para isso o led neste LDR precisa permanecer aceso, o capacitor C23 não deixa o led apagar pois mantem a carga. Uma maneira mais simples possivel de mante-lo aceso.

     A quantidade de aumento de sinal ao se ter o trêmulo ligado em relação ao sinal sem trêmolo não precisa ser muita e pode ser modificado, aumentando o valor de R44 faz parecer que o trêmolo ficará mais alto ainda quando ligado.
  Um circuito ideal seria ter este led deste LDR piscando ao contrário do outro led mas isto tornaria o circuito mais complicado ainda sem necessidade.

  Um pedal com plug P10 pode ser usado para ligar e desligar o trêmolo ao invés do potenciômetro, assim já deixa o potenciômetro de velocidade pré ajustado.

   Não incluí um potenciômetro de profundidade (geralmente ao lado do de velocidade nos paineis dos amplificadores), a razão é que quando se usa o trêmolo na velocidade máxima todo guitarrista coloca na profundidade máxima e quando se coloca mais lento as vezes diminuem um pouco a profundidade.

   Neste circuito o potênciometro de velocidade já faz isso meio automático pois na velocidade bem lenta (antes de desligar) a oscilação não fica perfeita não conseguindo apagar o led completamente (pois está quase desligando) e assim diminuindo a profundidade. Desse modo ter um potenciômetro para profundidade seria mero enfeite no painel.


Saturday, July 22, 2017

Pré amplificador valvulado tentando sair da mesmice - controle de volume

Post 31 - Pré de guitarra valvulado com o reverberador com PT2399

Volume e master

     Como se trata de amplificador combo com só um canal não é necessário ter um controle de volume master. O sinal da primeira válvula (dois triodos) já vem bastante amplificado e assim ao passar pelo controle de volume (depois dos controles de tonalidade) mesmo com o potenciômetro em baixo volume já terá uma sonoridade boa com guitarras (o som não vai estar magro).

   Não havendo um potenciômetro de volume master é como se houvesse este e ele estaria sempre no máximo, a desvantagem é que sempre pode haver mais ruido vindo da segunda válvula que está depois do primeiro volume pois o controle master é sempre o último da linha.

   A maioria dos amplificadores sem master são dessa maneira com um só um controle simples de volume, mas neste circuito será usado um potenciômetro duplo para o volume sendo usado uma metade do potenciômetro como um meio master.
  
   Geralmente se usa uma válvula duplo triodo (12AX7) e meia, ou seja, com uma segunda válvula usando só a sua metade, a outra metade se usa para um segundo canal ou como inversora simplificada (dispensando uma terceira válvula), ou ainda simplesmente não usando como no pobre projeto do Fender Blues Jr que esperdiça meia válvula.

  Neste circuito este quarto triodo será usado em cascata (como num amplificador high gain) porém a ideia é ter um som limpo e alto. Válvulas 6L6GC não distorcem facilmente por si só e um circuito de distorção já foi adicionado no projeto.
   Este master será colocado entre os dois triodos e é mais como um segundo controle de volume do que master para ajudar a diminuir o ruido quando se tocar em volumes mais baixos.

  O resistor R40 (1K) não deixa o volume da segunda metade do potenciômetro zerar, alterando o valor desse resistor pode até liberar mais ganho, também ajusta melhor o giro do potenciômetro fazendo atuar mais logarítmo do que linear (tipo pra corrigir aquele gira só um pouquinho e o volume já foi todo e parece não atuar mais).

   O valor do potenciômetro de volume depende do quanto de volume de sinal se quer deixar passar em função do nivel de ruido. Os controles de tonalidade não sendo tone stack usam valores menores (100K nos graves e 20K para os agudo neste circuito), assim o valor máximo para o de volume seria 100K e liberaria bastante sinal e também bastante ruido (com a segunda válvula em cascata isso seria super exagerado).

  Com um valor mais baixo se tem uma impedãncia mais baixa numa entrada de alta impedância, abaixa o volume mas abaixa também o nivel de ruido, daí se amplifica mais no segundo e terceiro triodo.

  Será usado um potenciômetro linear duplo de 10K para um combo, no caso de cabeçote com caixas maiores e mais alto falantes poderia ser usado um de 20K.

  C19 (10nF) ajuda diminuir ruido humm no circuito, um valor menor que isso pode prejudicar os graves (ainda falarei sobre humm nesse projeto). R39 é bastante responsavel pelo volume geral, por exemplo se for usado um potenciômetro de 20K então R39 deverá ser maior que 10K.

  Os desenhos das etapas mostrados até aqui já são o desenho final mas alguns valores e númeração dos componentes ainda poderá ser mudado para o ajuste final depois da montagem completa. Tudo está sendo feito numa protoboard de testes e no último post sobre este amplificador estará desenho inteiro completo.

Tuesday, June 27, 2017

Pré amplificador valvulado tentando sair da mesmice - estágio de tonalidade

Post 30 - Pré de guitarra valvulado com o reverberador com PT2399

Controle de tonalidade

   Para que se tenha um controle mais equilibrado no giro dos potenciômetros prefiro não utilizar a configuração “tone stake” que é a mais utilizada na maioria dos prés. 

    Usando uma topologia digamos “semi baxandal” (um baxandal sem realimentação) se gasta mais componentes mas os controles de graves e agudos ficam mais independentes (um não interfere no outro), no controle de agudos se consegue uma melhor atenuação dos agudos além de um equilíbrio melhor no giro dos potenciômetros.

   O dificil é escolher e definir os melhores valores para os componentes ao redor e os potenciômetros, praticamente feito por tentativa e erro.

Funcionamento

   R32 (220K) limita a quantidade de sinal que irá ao controle de graves e assim o montante de volume de sinal nos graves em relação aos agudos. Da mesma forma R35 (470K) limita o volume dos graves que vem do potenciômetro de graves. Se o volume de graves na posição de todo acentuado estiver forte demais (rebentando o alto falante) a preferência é aumentar R32.

  Os capacitores C17 e C18 estão equilibrados (um 10 vezes mais do que o outro) juntamente com a escolha de 100K para o potenciômetro para que o giro fique mais equilibrado entre a acentuação (o cursor curto circuita C17) e a atenuação (o cursor tira fora C18). Os graves não podem ser muito acentuados pois com o volume no máximo pode arrebentar o cone do alto falante (principalmente se for um combo com um único alto falante). Logicamente em baixos volumes faz parecer aos ouvidos que o controle de graves atua pouco, mas não tem jeito, é assim que tem que ser se se quer protejer o alto falante ou então usar um limitador igual a alguns amplificadores de contrabaixo (iría sair com compressão demais na guitarra).

   C15 tem a função de um filtro deixando passar só agudos (no caso escolhido de 150pF super agudos, se aumentar o valor passará mais médios junto). A grande diferença entre os valores de C15 e C16 deixam as frequências opostas bem distantes tendo assim muita atenuação e muita acentuação.
 
   R30 (330K) limita o volume de sinal que o potenciômetro irá ajustar. Aqui se tem um grande problema de dificil solução, pode acontecer do excesso de brilho causar uma realimentação com um apito agudo ao se aumentar o volume com o controle de agudos na acentuação máxima.

   Esse efeito desagradavel depende, do alto falante, do transformador de saida (se for bom demais dando uma extensão larga na faixa de audio), do volume de ganho total que se vai querer na amplificação final e do tanto de brilho em si que se quer ter ao girar o potenciômetro.

   R30 é como se fosse uma extensão do potenciômetro não deixando o cursor ir mais ainda nos agudos, assim aumentando R30 deixa o controle não ir tanto nos agudos e pode ser uma solução porém não tão atrativa pois reduz a ação do controle (como está se tem um controle de agudos super forte mas com risco de oscilação).

  O excesso de brilho se dá pelo fato de valvulados terem uma extensão muito larga na faixa de harmônicos de frequência (e sem ruido hisssss) e altíssima impedância. Para amenizar C11 e C12 cortam parte desse excesso.

  A melhor solução no entanto seria um truque de se usar um potenciômetro duplo no controle de volume de forma que uma metade desse potenciômetro limitasse o agudo enquanto a outra metade fosse aumentando o volume. Ainda farei um desenho assim mas é bem dificil de ajustar os valores perfeitos dos componentes.

  Os demais capacitores não precisam ser de alta voltagem pois a alta tensão DC já foi barrada pelos capacitores marcados 400V.

  Prefiro o controle de médio num circuito totalmente separado como deixei claro num post anterior.



Sunday, May 28, 2017

Pré amplificador valvulado tentando sair da mesmice - primeiro estágio continuação

 Post 29 - Pré de guitarra valvulado com o reverberador com PT2399

Circuito de distorção e crunch

  O circuito básico distorcedor não tem nada demais, um simples fuzz com dois diodos (distorção simétrica) ou com três (assimétrica), ou até outro arranjo com mais diodos se quizer, o esquema está repetido aqui para facil visualização.
  
    Os resistores R6 e R7 limitam o volume de sinal que alcança os diodos para se obter uma distorção levinha (tipo um simples crunch) ou um pouco mais acentuada (nada exagerado).

  A chave dist/crunch nunca está disconectada, R7 está sempre conectado e recebe R6 em paralelo ou não, desse modo as chances de se ter um ruido click na chave é muito pequeno.

 Ao se colocar os diodos no circuito (chave limpo/distorção) o corte dos picos de sinal feito pelos diodos faz o volume sonoro cair um pouco tendo assim o sinal distorcido com um volume ligeiramente menor e a distorção é constante do início ao fim do sustain da nota tocada.

   Para se obter o efeito em que o som distorcido vai diminuindo e a sonoridade vai ficando limpa a medida em que o volume sonoro das notas tocadas vai caindo, desenhei um circuito extra para controlar o montante de sinal que chegará aos diodos.

    Apesar de não ter nada demais este é um circuito original, não há nenhum amplificador com este desenho (se aparecer algum será cópia deste aqui).

  Funcionamento

   Uma parte do sinal segue por R17 sendo amplificado pelo transistor Fet 2sk30 (ou outro fet qualquer), R20 ajusta o ganho do fet (dependendo do fet escolhido o valor de R20 pode ser outro), conforme o valor de R20, ou seja o nível de amplificação, se terá um acendimento do Led vermelho mais forte ou mais fraco e por maior ou menor tempo de permanência aceso. O exato valor de R20 é crucial para que se tenha uma escolha perfeita para o acendimento do led e bom funcionamento do efeito. 

  Foi utilizado um fet ao invés de um transistor comum para manter a impedância alta na linha de sinal.

   O Led irá controlar o resistor LDR, desse modo ao se tocar uma nota mais forte o led acende forte diminuindo muito a resistência do LDR e o sinal chega todo nos diodos. A medida que o led vai diminuindo de intensidade o sinal vai ficando “clean” diminuindo a distorção e tendo um ligeiro ganho no volume (uma leve compressão) a medida que o volume do final das notas tocadas cai. Tem-se assim um simulador de “crunch” ou “sag” ou o nome que quizerem dar para o efeito obtido e o efeito é obtido mesmo em baixos volumes.

   O restante do circuito, o transistor apos o fet separa o sinal em duas fases e os dois transistores seguintes formam um retificador de onda completa para alimentar o led, esta maneira de retificar a onda do sinal é usada em varios circuitos de pedais de guitarra (não tem nada de novo).

   O capacitor C9 pode até não existir, ele apenas mantem o acendimento do led ligeiramente mais constante (sem tremular), sem ele pode ficar até mais interessante ou mais natural. 

   Os 10V que alimentam está parte do circuito é o mesmo que alimenta o reverberador obviamente o transformador deve ter um enrolamento a parte para esta baixa tensão.


Continua. . .

Monday, May 8, 2017

Pré amplificador valvulado tentando sair da mesmice - primeiro estágio


 Post 28 - Pré de guitarra valvulado com o reverberador com PT2399

  O reverberador

  Pelo mesmo motivo já explicado no post sobre o pré amplificador SS dos posts anteriores, o reverberador aqui também terá que ser colocado mais no início do circuito antes do controle de volume, onde o ganho ainda não é tão grande.

  Assim o sinal que será injetado no reverberador virá do primeiro triodo e ainda sim bastante reduzido pois está depois do filtro de retirada de excesso de médios. A saida do reverber se injeta direto na entrada do segundo triodo, o valor do potenciômetro R13 e o resistor de 22K (este último na placa do reverberador) ajustam o nivel de reverber que o potênciometro de reverber R13 irá regular.

  Conforme os valores é possivel ter uma reverberação com o nivel bastante alto mas fica limitado pelo nivel de ruido hisss do reverberador. O nivel de sinal reverberado é em torno de uns 40% em relação ao sinal normal (mais que suficiente para um bom reverber).

 O filtro mid scoop 


   Como é amplificação a válvula o som não é tão ardido como na amplificação solid state, assim não será preciso varios filtros como foi feito no amplicador transistorizado anterior, apenas um mid scoop é suficiente para um bom clean no sinal da guitarra.

  Um filtro em T (R9, R10 e C3) em ponte (C4 ou C5) cortam o excesso de médios. R9 sendo maior que R10 (umas 4 a umas 6 vezes maior) enfatiza mais o corte enquanto que C5 deixa passar o brilho e C4 passa mais os médios. O cálculo da frequência central deste tipo de filtro é bastante complicado e aqui foi ajustado os valores baseado em proporção. Inicialmente faz-se R9 = R10 e depois vai aumentando R9 com C3 no mínimo 10 vezes maior que C5.

  Prefiro utilizar chaves, mas é possivel trocar R9 por um potenciômetro (com um resistor em serie) e ter um controle de médios com um potenciômetro e retirar C4, R16 e a chave fora do circuito. A ponte com C5 continuaria. Teria-se assim um controle de médios muito mais eficaz do que o potenciômetro de médio no tone stack.

  R16 limita o nivel de médios igualando ao nivel de sinal de brilho e R15 limita o nivel da ponte em relação ao nivel de volume que passa no filtro T.

  O controle de graves e agudos ficarão depois do segundo triodo e serão analizados em outro post assim como o circuito de distorção e crunch.

  O ganho do estágio

  Para se calcular o valor do ganho do estágio teria que se calcular o Rtotal que é toda a associação serie/paralelo entre os resistores de R8 a R18 (varias associações), e isto tudo em paralelo com R4, para depois aplicar a fórmula vista anteriormente. É muito cálculo, é preferivel fazer experimentalmente variando R5.

  Enquanto mais alto se quizer o ganho no primeiro estágio (menor R5), mais se diminui a ação do mid scoop (piora o filtro), mais se injeta sinal no circuito reverberador (o que pode distorcer o sinal nos PTs 2399), em contrapartida pode se ter uma distorção mais acentuada no circuito distorcedor.

 Os resistores foram escolhidos (começando pelo mid scoop) de forma a contrabalançar os ganhos em determinados pontos e alguns resistores de forma a atuarem como buffer (R8 e R11).

  O sinal entra com um nivel bem baixo no segundo triodo pelo valor baixo do resistore R12 e potenciômetro R13 para não precisar aumentar muito o nivel de sinal vindo do reverber e se ter um baixo nivel de ruido geral deixando o aumento do ganho para o segundo triodo.

Continua. . .


Wednesday, April 26, 2017

Pré amplificador valvulado tentando sair da mesmice - teoria mínima

   Post 27 - Pré de guitarra valvulado com o reverberador com PT2399

  Antes de imaginar um desenho do circuito será necessário alguma teoria de cálculo (o mínimo possivel por favor).

  Polarizando um triodo

Usando a válvula 12ax7 e seguindo os dados do datasheet da 12ax7

Fator de ganho da 12ax7 = µ = 100

Resistência do anodo (resistência da placa interna) Rp’ = 62500 Ω

  Seguindo a sugestão de polarização do datasheet para que a 12ax7 funcione de forma mais linear segundo a reta de carga de seu gráfico (gráfico que não interessa aqui) e geralmente adotada na maioria dos esquemas.

  Tensão de alimentação em torno de 370V no power obtida na fonte depois dos resistores abaixadores de tensão e capacitores de filtro (foi usado uma fonte de 440V que caiu para 420V com tudo em plena carga). A tensão não precisa ser exatamente esta, pode ser menor ou até um pouco maior.

Rp = 100K o que reduz a tensão na placa para entre 250V a 300V dependendo do valor de Rcat.

Rcat = 1K5 tendo uma corrente Icat = 1,2mA

Tensão de catodo Vcat = 2V (é como se fosse uma tensão negativa de -2V)

  Rcat = Vcat / Icat = 2 / 0,0012 A = 1666 Ω ≈ 1500Ω = 1K5

  Para efeito prático, cálcular corrente e resistor de catodo não interessa muito (não tem utilidade prática), sabe-se que aumentando o valor do resistor Rp (entre 100K a 220K) se reduz a corrente aumentando o ganho do estágio. O ganho é o que interessa no projeto, na prática é melhor alterar o ganho diminuindo ou aumentando o valor de Rcat. Menor valor de Rcat maior o ganho e vice-versa (valores entre 820Ω mínimo a uns 5k6 ou um pouco mais para menor ganho), logicamente a corrente e a tensão sobre o catodo irão variar mas não importa saber o valor.

  Cálculo do ganho do estágio

  Ganho =   _________ µ x Rtot    _______
                  Rp’ + Rtot + [ Rcat x ( µ + 1 )]

Rtot = Rtotal = O valor da resistência paralela entre Rp e Rcarga (Rcarga será o total de resistência que vier depois de C1 morrendo no terra).

 (µ + 1) é o fator de ganho da válvula mais um (100 + 1 = 101), sendo praticamente insignificante se poderá aqui retirar esse +1 fora e simplificar a fórmula pois não é necessário tamanha precisão.

  Supondo que a carga fosse um potenciômetro de volume de 1M com Rcat = 1K5 e Rp = 100K. Assim o ganho em cima de C1 (ou com o potenciômetro no máximo) seria:

  Rtot =   100000 x 1000000 = 90909 = 91000 = 91K
              100000 + 1000000

  ganho =    _______100 x 91000 ______  = 29,98 = 30
                 62500 + 91000 + (1500 x 100)

  Assim pela teoria qualquer valor de uma fonte de sinal (sinal vindo do captador da guitarra) será multiplicado por 30 na saida da placa da válvula.

  Sabe-se que adicionando um capacitor em paralelo com Rcat estabiliza melhor o funcionamento e ao mesmo tempo aumenta mais ainda o ganho (igualzinho na polarização de transistor).

  O capacitor terá também a função de filtro, valores menores que 1uF aumentarão o ganho somente nas frequências mais altas. Há uma fórmula para se calcular o valor do capacitor em função da frequência mínima ( F ) mas não será necessário complicar mais ainda.

  Usando o capacitor apenas no intuito de se aumentar o ganho pode se ter a seguinte referência:

  Ccat = 22uF (com Rcat = 1K5),  F mínimo em torno de 43hz, o ganho que era 30 sobe para umas 50 vezes.

  Ccat = 100uF (com Rcat = 1K5),  F mínimo em torno de 10hz, o ganho chega no máximo a umas 60 vezes (não passa disso).

  Isto tudo se for considerado uma válvula nova e ao medir seus valores num testador de válvula o ponteiro estando na faixa verde do testador atingir 100% o que quase nunca acontece.

  Existem explicações bem mais teóricas de funcionamento e polarização pela internet afora, alguns fazem uma confusão para explicar e usam uma quantidade de letras e símbolos que ao inves de se entender se fica é mais confuso ainda. Eu não tenho muita paciência para muita teoria mais não, tento ser simples e direto só no que é necessário.

Wednesday, April 19, 2017

Pré amplificador valvulado tentando sair da mesmice - introdução


Post 26 - Pré de guitarra valvulado com o reverberador com PT2399

  Para exemplificar como seria a utilização do reverberdador com PT2399 num pré valvulado vou descrever um pré que desenhei recentemente para um amplificador valvulado que construi e com alguns recursos a mais.

  Considerações iniciais

  Apesar de já ter consertado, desmontado e montado muitos amplificadores valvulados nos anos 70 (quase todos da Giannini) parei por muitos anos de mexer com válvula. Naquele tempo não se tinha a gama de informações e conhecimento que sem tem hoje. Sou melhor com transistores e existem pessoas muito mais dedicadas e fanáticas por valvulas do que eu, mas meu conhecimento e as fontes de informação que se tem hoje são suficientes para que eu desenhe o meu próprio baseado em esquemas já existente pois logicamente é impossivel reinventar a roda.

  O que é tomar um choque de 440V?

  Não é nada agradavel, uma encostada de uma fração de segundo na ponta de um dedo, calçado com sola de borracha e com a outra mão livre sem encostar em nada, se sente uma fisgada que sobe até no ouvido. Se a outra mão estiver encostada em algum lugar dependendo do material que a mão estiver pode ocorrer um desmaio ou mesmo a morte.
  Só me lembro de uma vez, por isso prefiro trabalhar com solid states onde posso usar as duas mãos ao mesmo tempo e testar com tudo ligado.
 
  Então por que válvulas?

  Não resta dúvida, todo guitarrista sabe disso, por melhor que seja um amplificador solid states um valvulado soa muito mais bonito para as guitarras. O pré SS descrito anteriormente dá um belo som mas qualquer valvulado não sendo muito meia boca soará melhor.

  Onde está a diferença?

  São muitas mas não interessa aqui a velha discussão válvula x transistor, interessa é a prática da coisa no entanto para citar apenas uma e que considero a mais notavel é a maior compressão do sinal num circuito todo valvulado. Sobre o ponto de vista prático eu acho muito mais facil lidar com transistores e integrados do que válvulas (contrariando a maioria). Os cálculos são mais chatos (é só comparar um cálculo de ganho de amplificador operacional com o de um triodo por exemplo) e ainda tem os trafos pra calcular.

  O que não está nos livros e a escola não ensina?

  Quando se tem um integrado operacional duplo (LM4558, TL072 etc) eles estão independentes dentro do mesmo chip e os sinais não se misturam (já houve caso de misturar), quando se tem uma válvula duplo triodo (12ax7, 12at7, etc,) um triodo vaza no outro.
  Logicamente tendo uma nuvem de eletrons indo do catodo para a placa, porque a nuvem de um catodo não poderia ir para a placa do triodo ao lado? O quanto vaza depende da válvula, do ganho de amplificação, etc. E quanto isso atrapalha? Por exemplo se colocar um filtro mid scoop e ele poderá não funcionar perfeito pois parte do sinal que não passa pelo filtro vai estar vazando no segundo triodo se o desenho do circuito tiver sido feito no mesmo duplo triodo.
  A mesma coisa um reverberador que poderá estar com o volume no mínimo mas vazando reverber no segundo triodo.

  Outra dificuldade é o fato da valvula amplificar demais, se for preciso desenhar um buffer ativo fica praticamente impossivel além de ser um esperdício usar um estágio caro que é um triodo pra fazer um buffer. A menos que se misture transistor no meio das válvulas (como alguns valvulados ditos puro valvulados), tem-se então que se contentar com buffer passivos com resistores o que não é tão eficiente.

  O pré amplificador a seguir terá transistores mas não como buffers nem amplificadores com o sinal passando por eles. Estarão lá para outras finalidades de efeitos que terá o pré além do reverberdador, que irão sendo explicados nos próximos posts.