Wednesday, March 29, 2017

Reverberador com PT2399 - parte 6

Post 25 - Pré para guitarra com som de guitarra

 Placa de circuito impresso

   Visto do lado dos componentes, ou seja, pronta para impressão com a técnica do ferro de passar roupa, se for usado outra maneira de imprimir na fenolite tipo silk-screen ou tipo foto sensibilizante aplicado na fenolite, ai então deve inverter o desenho (fazer o espelho do desenho).

   O traçado é cheio em algumas parte e pode até ser mais cheio (não gosto de trilhas fininhas na placa). O tamanho é 20cm x 5cm (20,12cm x 5,03cm), assim deve se conferir a impressão com este tamanho (imprimindo direto do blog não sei que tamanho isso vai sair).



  Como os potenciômetros se encaixam no chassi e prendem na placa, só é necessário um único buraco na placa (o círculo grande) destinado a um parafuso auxiliar.

  O espaço destinado ao jack de entrada tem trilhas para dois tipos de jack, jack todo de plástico inclusive as porcas que o prendem no chassi (uns jacks robustos muito usados), e para jack de plástico fino com as porcas de metal (tipo usado em pedal da Boss), assim os terminais são soldados na placa. Há ainda espaço para dois resistores R1 (no caso de se usar um jack completamente diferente e fora da placa). Melhor que sejam jacks chaveados que ao se tirar o plugue colocam a entrada em curto no terra.

  A chave de brilho não é soldada direto na placa pois depende do tipo de chave usada, os terminais podem ser de fio rígido segurando a chave na placa e esta enroscada no chassi.


  Os terminais de conexões se unem com a placa do reverber.

  O diodo ligado no terminal do meio do LM7809 é opcional fazendo o 7809 sair pouco mais de 10v ao invés de 9,6V, pode ser ligado um jumper no lugar do diodo tendo os exatos 9,6v.

   A distância entre os potênciometros foi feito baseado nos knobs de pedal Boss (não aqueles miudinhos, os maiores) de forma a não ficarem nem juntos demais e nem separados demais, se for usado knobs menores ficarão mais separados (detesto knobs chineses pequenos demais com miséria de plástico, os Boss eu já acho pequeno!).

  Fiz o desenho do circuito impresso mas não montei o pré definitivo na placa (ainda está na placa de teste proto-board), a placa de reverber montei definitiva e conectei na montagem da placa de teste e tudo funcionou beleza. Esta placa não tem segredo e certamente irá funcionar perfeitamente.





Tuesday, March 14, 2017

Reverberador com PT2399 - parte 5

   Post 24 - Pré para guitarra com som de guitarra

  Controle de tonalidade

  É aqui que o circuito difere bastante dos circuitos convencionais Tone stack ou Baxandall. No Tone stack os controles são passivos, os filtros dos controles atenuam a frequência e quando se gira os potênciomentros acentuando graves, médios ou agudos não se está acentuando nada, está apenas voltando ao normal do sinal mas tendo a impressão que se acentuou o grave, ou médio, ou agudo.

 No baxandall há realmente acentuação da frequência porque se faz uso da amplificação ativa (CI ou transistor) no elo de realimentação, num baxandall bem feito se precisa de dois circuitos ativos, um para graves e agudos juntos e um separado só para o controle de médios.

  O grande problema do baxandall, e isto não está nos livros e A ESCOLA NÃO ENSINA, é que os potenciômentros arranham com o passar do tempo, principalmente os de agudos e médios, ao gira-los eles fazem “xxxxi-xxxxi” mesmo antes de ficarem muito velhos, isto porque eles ficam trancados no meio do sinal (sinal de um lado e do outro) sem um ponto terra próximo de um dos seus terminais. 

  No tone stack eles estão em serie e já há um ponto terra pelo menos em um deles e assim este ruido é menos perceptivo, ainda por cima não há amplificação separada de cada filtro.

  No baxandall ainda há o incoveniente de se acentuar muito o ruido “hissss” na amplificação dos agudos (hisss = agitação térmica dos átomos na liga metálica dos transistores).

  Assim bolei uma maneira diferente de amenizar estes problemas

  Controle de médios - 2º mid scoope

  R14, R17, C9 e C10, e o operacional formam um filtro passa banda de 2ª ordem. R14, R15, R17 e R20 têm que ter valores iguais e neste caso calculados para junto com C9 e C10 que também devem ter valores iguais de capacitância, atuem numa frequência central em torno de 1Khz.

    R15 sendo o resistor de realimentação aplicado na entrada não inversora do operacional tende a anular a frequência de passagem do filtro, passando o filtro a ser de rejeição de banda. O potenciômetro de médios R16 em serie com R15 desajusta o filtro fazendo deixar de ser de rejeição de banda e passando a ser de passa banda.
 Assim se tem uma boa atenuação dos médios e um bom reforço por ser um filtro ativo de 2ª ordem, mesmo tendo boa parte dos médios barrados pelos outros mid scoopes, os médios serão acentuados sem aumento no volume sonoro e sem arranhar o potenciômentro quando este estiver desgastado.

  Controle de agudos

  Ainda no mesmo operacional um pequeno filtro C13 e R21 atuam se aproximando ou se afastando do elo de ganho R20 e C12. Os valores dos componentes aqui são bastante críticos principalmente C13, qualquer alteração de valores pode fazer o circuito apitar, os valores dos resistores R18 e R20 não devem distanciar muito de 100K para não desregular o filtro dos médios pois tudo está num operacional só.
 Deste modo o circuito dá um belo agudo sem muito ruido “hisss” como nos baxandall e sem arranhar o potenciômetro (nunca se terá um agudo tão forte como esse num tone stack ou baxandall). O volume do ruido hisss depende da qualidade dos transistores e circuito integrados usados (da qualidade da liga de silício).

 Controle de graves

 Aqui neste caso é um simples baxandall com um transistor já que os graves sofrem menos com arranhamentos de potenciômetro do que os agudos (mas ainda podem vir a sofrer), ainda não consegui uma maneira simples para os graves de se isolar o potenciômetro, ai o jeito foi usar baxandall.

 O transistor atua praticamente como buffer, está polarizado selfbias, R25 é um valor pequeno e a realimentação tende a ir contra o sinal na entrada da base.


  Assim os controles estão completamente separados entre sí, o potenciômentro de um não interfere no outro e atuam fortemente na frequência, o agudo berra agudo, o médio atua quase como um controle paramétrico e o grave rebenta alto falante. 

 Pela simplicidade deste pré ele bate muitos circuitos sofisticados cheio de componentes, dando uma boa sonoridade e alto ganho clean com baixo nivel de ruido. 

Monday, March 13, 2017

Reverberador com PT2399 - parte 4

Post 23 - Pré para guitarra com som de guitarra

   A maioria dos amplificadores solid states (que não tem válvulas) que já toquei e toco eu não gosto do som, o som do transistor é aquele som ardido. Sem entrar em detalhes, o espectro de frequências da válvula é diferente de um transistor, há de se fazer correções. Em muitos esquemas conhecidos se tem um pouco dessas correções mas nem sempre do meu agrado principalmente em amplificadores mais baratos onde a preocupação é o circuito distorcedor para se ter uma falsa impressão de que se tem muita potência vindo de um amplificador pequeno e barato.

    Neste pré coloquei 3 filtros de corte de banda (notch filters mas em prés de guitarra chamados de Mid Scoope), de modo a se obter um som clean cristalino, um deles está no próprio controle de médios.

  Análise do circuito

    Sem o controle de tonalidade que terá um post a parte.

   O primeiro estágio ativo de amplificação com o transistor fet já foi dito no post anterior do reverberador.

    O primeiro mid scoope (R5, R6, R7, R8, C3 e C4) formam um filtro passivo de rejeição de banda de 1ª ordem, como já visto num post anterior, o corte dos médios é levinho, não muito, tem uma fórmula pra achar a exata frequência central do filtro mas não me preocupei em fazer as contas (deve ser algo em torno de 1Khz).

   O primeiro CI ampli-operacional (metade de um TL072) é um amplificador inversor com ganho 10 e é também o misturador do sinal seco com o sinal vindo do reverber. Ganho 10 vezes ganho 5 vindo do fet se teria ganho 50 mas uma boa parte desse ganho foi perdida no filtro. Para o sinal reverberado o ganho é 3 para se ter um menor volume no reverber.

  Neste CI o capacitor C6 atenua os agudos, uma chave eletrônica feita pelo transistor fet praticamente tira C6 do circuito deixando passar todo o agudo e assim se ter o brilho no sinal. C7 dá um atraso até exagerado no tempo da chave e corta qualquer possivel ruido “clic” de uma chave mecânica.

  Saltando o controle de tom se tem o terceiro mid scoope

  Formado pelo filtro de 1ª ordem em ” T ” simples pelos resistores R28 e R29 e pelos capacitores C16 e C17. O sinal que passa por R28 e R29 tem uma parte dos médios desviado para terra pelo capacitor C17 enquanto em C16 os super agudos passam direto.

  A impedância neste ponto não é tão baixa e o sinal geral sofre certa atenuação de volume no filtro sendo recuperado pelo pré ampli do operacional onde está controle de ganho geral R33. R32 pode ser alterado a gosto se for necessário maior ou menor ganho (dependendo da sensibilidade do amplificador de potência a ser usado).

    Último estágio ativo - Flexwave

  Flexwave foi o nome dado pela fábrica Crate a essa topologia simuladora de distorção de válvula (não foi invenção da Crate). O circuito original usa dois diodos zenner mas há uma variação com transistores que é a que usei neste pré. Se simula, eu tenho minhas dúvidas mas porque coloquei este circuito aqui se a intenção é ter um pré clean? Na realidade o circuito é uma especie de leve limitador de sinal (se tirar os transistores vira um overdrive qualquer), um soft limiter, porém a atuação dos diodos ficam dependentes da atuação dos transistores (chamados de diodos borracha pois esticam ou encolhem). Não sei se o original com zenners é melhor mas esta serve para o propósito.

  A ideia é que o corte dos picos das ondas sonoras não fiquem presos a um determinado valor fixo (0,7V dos diodos), ou seja variem conforme a condução dos transistores. Sonoramente o que se quiz foi o fato de enquanto mais forte se tocar um acorde mais distorção se tem, e se tocar fraco se tem clean. O funcionamento é meio pífio mas serve para amenizar as pancadas do distorcedor (não deixando estourar o alto falante) e tornando a distorção um pouco mais suave, por isso a Crate usa no canal sujo de seu ampli.

  Aqui no caso será apenas para tornar este pré mais amigavel de pedais distorcedores. O circuito só atuará no sinal clean se o ganho estiver muito alto.

  Daí ao controle de volume final ou master. Não vejo graça nenhuma de se ter uma porção de controle para uma coisa só, volume, assim neste pré volume é o primeiro controle e é master ao mesmo tempo.

    Tensão de alimentação do circuito

  A maioria opta por uma fonte dupla + terra e - geralmente de 15V ou 18V (9 + 9). Normalmente reduzem com resistores da fonte da unidade de potência e estabilizam. O resultado é sempre ter aquecimento desnecessário (vindo dos resistores redutores) além de gastar dois estabilizadores LM78xx.

  Gosto da opção de uma fonte só dividida com terra virtual, 4,7V + 4,7V é mais do que suficiente para ter uma boa excursão de onda para um sinal de pré, e sendo facil baixar para 5V para o circuito do reverber sem muito aquecimento.

  Pode-se conseguir os 9,6V (ou 12V) vindo da fonte principal do ampli de potência mas o ideal mesmo é ter um enrolamento separado no transformador só para o pré (poucas espiras de fio fino).


Monday, March 6, 2017

Reverberador com PT2399 - parte 3

Post 22 Reverberador com PT2399 em um pré de guitarra com som de guitarra

  Placa de circuito impresso

  Placa para montagem tamanho 5cm x 15cm ( 4,81cm x 14,48 exatos ). O traçado das trilhas está espelhado do lado dos componentes, ou seja, pronto para ser impresso e transferido para uma chapa de fenolite ou de fibra usando a técnica do ferro de passar com a tinta de uma impressora a laser. Se for usado outro modo de transferir (silks screen ou fotográfico), ai então a imagem deverá ser espelhada ao contrário. 

  De acordo com o funcionamento do blog está postado em tamanho real, mas se ao dar um download a imagem ficar num tamanho diferente das medidas acima, então o desenho deverá ser reajustado num programa qualquer de desenho para o tamanho dado.

   Não me preocupei em fazer mascara de solda e lay out de componentes (ainda), apenas me oriento pelo desenho das peças sobre a placa como no desenho abaixo (este desenho não está no tamanho real).

  O desenho do tamanho dos capacitores de cerâmica é apenas aproximado, devem ser de baixa tensão para serem de tamanho reduzido.

  RJ são jumpers (pedaços de fio rígido soldados) ao invés de resistores, há o espaço para os resistores porque pode ser necessário o uso de resistores se usado com algum outro pré (por isso o espaço de reserva). Os outros dois jumpers estão com uma pequena linha.

 Também há espaço para os resistores Rvb1 e Rvb2 que não precisam ser usados pois a tensão Vb já vem da placa do pré. Se for usado com outro pré que não tenha uma tensão dividida ai então se usaria dois resistores iguais nestes espaços (qualquer valor entre 15K a 33K), e trocaria o capacitor Cd1 por um eletrolítico (de 22uF ou maior) ao invés de 100 nanofaradys (104).

  O potenciômetro de volume do reverber estará na placa do pré amplificador.

  Atualizando incluindo a máscara de solda



Wednesday, February 22, 2017

Reverberador com PT2399 - parte 2



 Post 21  Reverberador com PT2399 em um pré de guitarra com som de guitarra

   Diferente de um pré amplificador com reverber de molas onde o circuito amplificador do sinal para o tanque geralmente fica mais a frente no pré e após os controles de tonalidade, no caso de se usar reverberador com PTs, o circuito reverberador deve ficar logo no início do circuito do pré

    A razão é a sensibilidade da entrada dos PTs, não pode haver muito ganho na entrada pois os PTs irão distorcer o sinal se isso ocorrer. Não pode haver controle de volume ou ganho antes, o nivel do sinal deverá estar fixo, do contrário irá desajustar as realimentações conforme se alterar o ganho. Se alterar o ganho nas realimentações alterará o número de repetições e certamente haverá repetição infinita em alguns dos PTs ou em todos.
   Na entrada a opção foi por um transistor fet com um ganho 5 vezes (sem entrar em detalhes um fet sempre soará melhor com guitarras do que um integrado operacional). O fet 2SK117 ou 2SK30 podem ser substituidos por outros mas pode acontecer de ter que alterar algum resistor de polarização para se ter o mesmo ganho (por exemplo fets MPF102 ou 112 são péssimos e ruidosos).  

  Logo em seguida há um filtro mid scoop alá Bib Muff (com os mesmos valores pois a frequência central é a mesma) para amenizar um pouco o excesso de médios que sempre acontece em amplificação com transistores e integrados. Dai o sinal parte direto para o integrado (metade de um TL072) que mistura o sinal normal com o reverberado e adiciona algum ganho.

   Parte desse sinal também vai para o circuito do reverberador, esta parte do circuito será em uma placa separada e os componentes têm sua própria numeração. Assim começa no resistor marcado "J" que é apenas um salto (jumper) na placa (só esta ali em caso de necessidade).

  Os resistores R9, R17 e R25 ajustam o número de repetições em cada PT (menor valor mais repetições).

   R31 e o trimpot R30 ajustam todas as repetições somadas realimentando tudo de volta no meio entre os dois transistores buffers. Este é o ajuste mais crítico, menor resistência no trimpot mais realimentação e mais natural a reverberação pois os diferentes tempos de cada PT vão sendo realimentados nos PTs com tempos diferentes criando mais pontos ou paredes de repetição (porém com número limitado), mas são grandes as chances de haver a realimentação infinita e soar como uma especie de microfonia. Se ajusta o trimpot de modo que se obtenha um reverber mais natural sem que haja a realimentação infinita.

  R13, R21 e R29 deixam ajustados o volume do sinal repetido de cada PT. Todos os valores de resistores (com exceção do trimpot) já estão ajustados para a dosagem de sinal repetido de forma a enganar o ouvido fazendo com que alguns poucos pontos de eco juntos soem como uma reverberação.

   Quanto ao tempo de atraso em cada PT os valores de R32, R33 e R34 já estão ajustados da melhor forma possivel para que se obtenha a melhor sonoridade do efeito. A única mudança possivel é um menor valor para R34 no caso de se achar que a reverberação esta longa demais, um valor em torno de 12K (ou 13K que é um valor raro mas os chineses fabricam resistor com este valor) irá tornar o reverber mais curto.

    O oscilador LFO (leve chorus no sinal) é analógico o mais simples possivel (sem usar um chip digital TTL como no reverberador da Belton), R35 limita a ondulação do vibrato que deve ser bem pequena (se estiver forte demais é só aumentar o valor de R35 de 1M para 1M5).

  C37 é a saida do reverberador, ou seja, todos os componentes entre RJ a C37 ficam numa placa de circuito separada do restante do pré (pode ficar tudo junto numa placa só mas complicaria o desenho).

  O volume de saida ajustado pelo potenciômetro de reverber já faz parte da placa separada do pré-amplificador e ai a numeração dos componentes já pertence a outra placa. O volume é limitado por R44 e deve ser no máximo a metade do volume do sinal seco. Se for muito alto se terá uma forte reverberação mas a sensação de varias repetições ao mesmo tempo ficará mais evidente. O sistema não é perfeito mas simula bem o efeito de reverberação. No esquema o sinal seco tem ganho = 10 (R10 / R9) e o sinal reverberado tem ganho = 3 (R10 / R44).

  A alimentação do circuito todo pode ser entre 9,6V a 12V tendo uma divisão no meio Vb (terá um esquema a parte). A alimentação de 5V para os PT pode ser feita individual com um integrado LM7809 de 100 miliamperes para cada PT (são os integrados pequenos parecendo um transistor BC548), ou um LM7809 grande de 1,5A alimentanto todos de uma vez. Cada PT consome cerca de 32 a 34 miliamperes por isso um LM7809 pequeno sozinho não aguenta os três PTs juntos (um sozinho esquenta e entra em pane dando uns estrondos no som). Um de 1,5A é muito, mas o fabricante é 8 ou 80 e não tem um meio termo, a menos que se faça um estabilizador com transistores e zenner.

   Todos os capacitores podem ser de cerâmica pequenos exceto os escritos "poly" que devem ser de poliester porque a margem de erro sendo menor não irá influenciar no nivel de sinal que passará em cada capacitor.

  Da saida do integrado operacional o sinal entrará no restante do circuito que será num post mais a frente.




Sunday, February 19, 2017

Reverberador com PT2399 - parte 1

  Post 20 Reverberador com PT2399 em um pré de guitarra com som de guitarra

  Utilizando alguns PT2399 pode-se conseguir um razoavel reverberador, cada PT corresponde a um ponto ou parede onde a onda sonora bate e retorna como eco, assim enquanto mais PTs mais natural soaria a reverberação. Naturalmente enquanto mais PTs mais ruido de conversão AD-DA pois não há um só conversor com varias memorias em um único chip e sim varios chips com uma memória cada.

  Esse esquema é semelhante ao reverberador da Belton que usa três PT2399. Antes da Belton lançar seu produto eu já havia construido um reverberador com apenas dois PTs e numa combinação serie-paralelo se consegue três pontos de retardo do sinal, mas com três PTs soa mais natural, só fica mais dificil de ajustar e maior o circuito.

  Diagrama de bloco - como funciona

  Cada PT tem sua própria realimentação, os valores de cada resistor de realimentação devem ser tal de forma que se tenha bastante repetições mas sem ficar repetindo infinitamente.

   O sinal vindo do Buffer 2 entra no primeiro PT, ai se tem o atraso inicial que corresponde ao tempo em que supostamente as ondas sonoras demorariam para atingir as paredes antes de retornarem ao ponto de onde partiram onde se estaria ouvindo o eco. Num sistema perfeito este PT seria destinado apenas a essa função, no entanto se pode aproveitar parte desse sinal e joga-lo também na saida e na realimentação com um nivel mais baixo no meio entre os dois buffers.

  Neste primeiro PT se tem um oscilador LFO variando o tempo de retardo (exatamente igual a um chorus) porém muito suave para que não seja sentido um vibrato no som. Este é o único recurso simplificado possivel de se variar levemente o tempo de retardo do sinal, com um chorus nas repetições se terá a sensação de um reverber um pouco mais cheio além de ir variando o batimento indesejavel que se percebe das repetições se o nivel de reverberação na saida for muito alto. Este batimento é sentido porque se tem poucos pontos ou paredes de repetição.

  Da saida do sinal com atraso do primeiro PT o sinal entra ao mesmo tempo no segundo e terceiro PT, o segundo com tempo bem largo e o terceiro com o tempo bem curto. Numa reverberação natural nas frequência mais agudas as ondas sonoras viajam maiores distâncias e assim batem mais vezes nas paredes. O terceiro PT tem o tempo mais curto e portanto será ajustado para maior número de repetições possiveis (antes do infinito) apesar de não haver filtros para distinção de baixa ou alta frequência em sua entrada.

  As saidas dos três PTs são então mixadas e vão ao controle de volume de reverberação e dai o sinal reverberado é finalmente misturado ao sinal sem atraso.

  Uma pequena parcela do sinal é retirado antes do potênciometro de reverberação indo para realimentação tendo um trimpot de ajuste e sendo injetado no meio entre os dois buffers.

  O segundo e terceiro PT estão paralelo e logicamente se adicionar mais PTs em paralelo com tempos diferentes se poderia obter mais pontos de retardo e uma reverberação mais natural mas encarece e complica mais ainda os ajustes. O grupo de PTs em paralelo recebe o sinal já retardado pelo primeiro PT com  todo o ruido proveniente deste, a somatória de todos os ruidos limita o projeto.

  Na maioria dos projetos DIY encontrados na internet simplesmente colocam todos os PTs em paralelo, um deles colocou 6 em paralelo mas não montou pra demonstrar não, só desenhou, eu queria ver ele ajustar as realimentações e tirar o ruido. A combinação das células de retardo deve ser em serie-paralelo.

  A grande dificuldade são o ajuste dos niveis de sinal nos pontos de realimentação do mesmo, ficam muito dependentes do nivel de sinal da entrada, um ganho de amplificação muito alto pode fazer o circuito começar uma repetição infinita indesejavel. Esta é a grande diferença entre uma reverberação mecânica conseguida por molas de reverber, de uma reverberação conseguida por somatória de múltiplos ecos, no sistema de calha (ou tanque) de reverber não há realimentação de sinal (a pouca realimentação existente acontece mecanicamente no próprio tanque), assim independe do nivel de sinal da entrada que justamente precisa ser é alto para excitar a entrada do tanque.

  Por causa dessa dificuldade fica muito dificil tornar o circuito mais versatil, o circuito fica limitado praticamente impossivel de se ter controles para diferentes reverberações tipo “plate reverb, room, hall, church” e os diversos nomes que inventam em comparação com uma reverberação no mundo real. Os ajustes dos valores estão para uma reverberação tipo aproximadamente “large hall”.

  Assim este circuito é uma alternativa para amplificadores com um só controle de reverberação como nos amplificadores com tanques de reverber.

  No diagrama de bloco os resistores são os responsaveis pelas atenuações do sinal para a realimentação, qualquer mínima mudança interfere na realimentação.

  As setas indicam o sentido principal do sinal, logicamente em alguns pontos o sinal tende a ir nos dois sentidos (onde não há buffer e onde os resistores forem de baixo valor).

   Continua . . .


Tuesday, January 24, 2017

Flangers com PT2399 não funcionam

   Post 19 - Flangers com PT2399 não funcionam

  Há de se imaginar que usando a mesma topologia de um circuito de flanger analógico iria funcionar usando um atraso de sinal digital ao invés de um chip analógico.

  O primeiro problema é o tempo de retardo que deve ser muito curto (pouquíssimos milisegundos) em relação ao sinal natural, um chip tipo o PT2399 (ou outro equivalente) não se consegue um atraso tão curto pois foram feitos para se obter eco.

 Neste caso imagina-se dois chips PT2399 em paralelo ajustados com o tempo quase iguais, o que tiver o tempo mais curto possivel que seria de uns 25 milisegundos (menos do que isso o chip queima) seria usado como o sendo o sinal natural sem atraso (um tempo curto como esse o ouvido praticamente não sente diferença sentindo como se não houvesse atraso nenhum).

  Um segundo chip ajustado com um tempo em torno de uns 27 milisegundos dando uma diferença entre um e outro de 2 milisegundos, neste chip aplicaria-se o oscilador de baixa frequência para ir variando ligeiramente o tempo de retardo tal qual como um chorus só que com o tempo curtissimo.

  Ao se aplicar a realimentação do sinal se esperaria de se conseguir o efeito flanger (exatamente como num circuito com um chip de atraso analógico). Este é o raciocínio que já vi imaginado e explicado por alguns DIY na internete (alguns até montaram e juram que a sonoridade é de flanger).

  Simplesmente não funciona, porque? Longe de se obter um flanger o máximo que se consegue é um chorus com um pequeno reverb muito curto e por estar com o tempo muito curto nada agradavel sonoramente.

  A razão é a mesma já explicada no post 17 no tópico “diferença ente BBD e digital” para efeito de chorus. Para flangers, nos BBDs a medida que o sinal vai sendo realimentado vai havendo um pequeno defasamento (que nem num phaser) em cada pequena parcela de cada circuito “sample and hold” contidos no chip. Cada sample and hold é formado por um capacitor e um transistor que formam uma pequena memoria analógica dando um atraso de tempo curtíssimo num total de 512 memórias ou 1024 (depende do chip) em fila.

  No PT2399 se tem apenas uma memória que sozinha dá todo o atraso das 512 mini memórias do chip analógico juntas e com o tempo mais largo ainda. Assim o sinal não defasa como se fosse um dominó como acontece no chip analógico ao ser realimentado o sinal. O máximo que se consegue é um mínimo defazamento sufuciente para um chorus.
 
  Seria preciso haver algum circuito extra de defasamento. Obviamente aqui se está analizando a maneira de obter um som de flanger (com aquele efeito caracteristico de avião a jato passando pela música) apenas substituindo o atraso de sinal feito com um circuito analógico por um feito usando um chip digital, a topologia continua sendo toda analógica, o que é diferente de uma topologia de circuito totalmente digital (e esta é guardada a 7 chaves pelas empresas que dominam este conhecimento).

  Estes chips que convertem tudo em digital são verdadeiros processadores digitais onde se consegue todos os efeitos (não só flanger) e não são colocados facilmente a venda e nem os desenhos de circuitos são distribuidos na internet, este é outro assunto que vai além do escopo do meu conhecimento.