Wednesday, May 27, 2020

Post 80 - Desenhando um pré com transistores - Cálculo diferente - parte 1


    O pré universal

  Eu já postei e falei sobre ele em alguns circuitos anteriores, com dois transistores em cascata se monta um pré universal, a topologia já é universalmente conhecida, já está pronta, falta então saber como se calcula os componentes ao redor de forma prática (isso ainda não mostrei anteriormente).

  Esta maneira de calcular que farei aqui com certeza não é o modo mais correto mas é uma maneira prática e bem mais facil por isso é ELETRÔNICA QUE A ESCOLA NÃO ENSINA. É assim que faço e dá certo.

  É calculado como se fosse dois circuitos em auto-polarização separados e depois ligados em cascata.

  Na topologia do pré universal o resistor de base passa a ser um só, somente para Q1 mas como se fosse também o resistor de base de Q2 (a realimentação continua negativa mesmo vindo do emissor que Q2).

     R3 que polariza o coletor de Q1 também polariza a base de Q2 (então deve satisfazer os dois transistores), mas Q2 também continua recebendo realimentação negativa pois a fase do sinal que vem do emissor de Q2 se inverte novamente em Q1 contrapondo a fase mais amplificada que sai do coletor de Q2 (a realimentação tem a amplitude de fase muito menor do que a amplitude que sai amplificada). Ambos os transistores ficam autopolarizados e recebendo realimentação.

 
  O ganho total será dado por: ganho Q1 x ganho Q2

  O primeiro transistor deverá ter um ganho bem maior que o segundo transistor (em torno de ganho 100 ou mais ou menos), Q2 será apenas um índice amplificador de que Q1 e deverá ter um ganho bem menor (menor que 20 vezes).

  Se o resistor de emissor em Q2 tiver um valor muito baixo (significando um maior ganho em Q2) isso reduzirá a injeção de realimentação negativa em Q1 pois parte do sinal morrerá no terra por isso o ganho em Q2 deve ser bem menor do que em Q1 (assim o resistor de emissor terá um valor mais alto).

  A corrente de cálculo no coletor de Q1 deve ser pequena e bem menor que a corrente de cálculo do coletor de Q2 (no coletor de Q2 pelo menos umas 10 vezes maior).

  Isto depende da tensão do sinal que for aplicada na entrada, enquanto maior o tensão do sinal estimada maior deverá ser a corrente para o coletor de Q2, se a corrente para Q2 for pouca coisa maior que a corrente em Q1 qualquer aumento da tensão de sinal na entrada fará a onda distorcer criando segunda harmônica (num pré para guitarra pode até ser está a intensão).

  Se o circuito fosse dois circuitos em autopolarização separados (com um capacitor no meio separando) cada resistor de cada base (resistor de realimentação local de cada um) teria seu valor entre 50 a 100 vezes maior que o valor encontrado de cada resistor de coletor (post77). Entretando este valor não é crítico e pode ser um valor bem menor se o valor encontrado para o resistor de coletor Rc for muito alto, o que acontece sempre no primeiro transistor pois a corrente estimada em Q1 será quase sempre muito baixa.

  Os dois resistores de base serão um só para a duas bases e deverá ter o seu valor mais próximo ao encontrado no cálculo para a base de Q2, como o valor não é crítico poderá ter seu valor modificado de modo a ajustar o circuito variando a injeção de realimentação negativa.

continua. . .

Tuesday, April 21, 2020

Post 79 - Desenhando um pré com transistores - Tom Baxandall


Controle de tonalidade

  O que é Baxandall

  Neste pré depois do potenciômetro de volume há um controle de tonalidade Baxandall (nome do inventor), até antes dessa invenção os controles de ton eram simples tonestacks passivos (como nos amplifcadores Fenders).

  Um controle de ton Baxandall é essencialmente um controle ativo onde um desenho semelhante a um tonestack recebe uma realimentação negativa controlando o ganho e assim tendo uma melhor eficiência e tendo uma acentuação ou atenuação das frequências mais suavemente. Alguns atribuem erroneamente Baxandall passivo para alguns circuitos que não tem a realimentação. C5, R6 e R7 fazem a realimentação na rede de tonalidade.

  O Baxandall original tinha apenas grave e agudo mas é possivel colocar também um controle de médios e este ser bem mais eficiente no reforço dos médios, o que é impossivel de se conseguir num tonestack passivo pois apenas se atenua.
  
  Outro exemple de pré dos anos 60

  Este é o desenho original do pré do famoso Baguinho da Giannini que apesar de ter sido lançado nos anos 70 ainda usava um circuito já antigo para a época porque o circuito a potência ainda era a acoplamento a transformador (típico do início dos anos 60).

  O circuito não é ruim mas o desenho no papel é péssimo, não tem data, não tem numeração de componentes nem detalhe nenhum. Eu ainda aprendiz nos anos 70 já desenhava melhor do que isso. Vejam que as escritas estão em Ingles mas escreveram “organ” com “M”.

  Pode-se ver que o primeiro estágio Q1 não precisa nem de cálculo o resistor de base 2M2 é 183 vezes maior que o resistor de coletor 12K e o ganho é 12K/150Ω = 80 então umas 60 e poucas vezes (tabelinha post 77).

  O segundo transistor escolheram a polarização em ponte e uma corrente um pouco maior no coletor (baixo valor de Rc = 2K2) e um ganho pequeno (Re = 1K).

  O resistor de 56Ω faz um terra virtual na polarização do emissor pois no emissor entra a realimentação negativa vindo da saida. O acoplamento a transformador no lugar de transistores excitadores geralmente se tem um bom ganho. Se os fios do push-pull do trafo forem soldados invertidos dá um ruido agudo constante enorme na saida pois a realimentação passa a ser positiva gerando oscilação.

  O controle de tonalidade não tem realimentação assim um dos lados fica aterrado onde teria a realimentação por isso ao se desenhar no papel fica com uma forma diferente do baxandall. Ainda pretendo fazer uns posts somente sobre controle de ton.


Wednesday, April 15, 2020

Post 78 - Desenhando um pré com transistores - antes porém


    Apenas com a configuração seguidor de emissor em autopolarização ou ponte é possivel desenhar um pré amplificador completo a moda antiga. Hoje ninguem desenha mais, todos usam amplificadores operacionais porque o cálculo é muito mais facil (como o pré de guitarra que desenhei no post 23), no entanto especificamente para guitarra um pré amplificador feito com transistores pode ter ainda algumas vantagens sobre os operacionais.
  
  Capacitores - esses ineficientes necessários

  Ao se desenhar, imaginar e bolar qualquer circuito deve-se ter em mente que quanto menos possivel se usar capacitores no circuito é melhor, principalmente os eletrolíticos. Capacitores causam perdas em geral, os eletrolíticos tendem a perderem a capacidade com o tempo, aqui não é o momento agora de falar sobre cada um deles.

  Colocando 2 transistores em serie amplificando um sinal, o primeiro transistor logicamente pegaria o sinal original e multiplicaria pelo número de vezes que ajustassemos o seu ganho. A corrente utilizada no cálculo deverá ser bem menor que a corrente utilizada no cálculo da polarização do segundo transistor.

  O segundo transistor ampliaria o sinal recebido múltiplicando o seu ganho pelo ganho obtido anteriormente no primeiro transistor. Já a corrente no cálculo da polarização do segundo transistor obrigatoriamente deve ser maior pois o segundo já recebe uma tensão maior. Assim a potência vai aumentando a medida que se vai cascateando o número de transistores. Essa é a ideia, logicamente com uma limitação no número de transistores (ou o circuito pode se tornar um oscilador).
    Para separar a polarização DC de cada transistor é obrigatorio o uso de um capacitor, mas no caso desse acoplamento direto a perda no capacitor ainda é maior porque o capacitor ao passar a carga pra frente nunca se descarrega completamente durante as inversões da fase do sinal. Nos casos onde há por exemplo um potenciômetro de volume entre os dois estágios, este estará entre o terra e o sinal melhorando a descarga do capacitor (necessitaria um capacitor a mais).

  Desse modo a melhor ideia é não haver o acoplamento a capacitor a medida do possivel (como no pré amplificador universal).

  Exemplo de um pré dos anos 60

  Este é desenho original do pré amplificador do circuito TA16 que postei o circuito do amplificador no post64.
  Como pode se ver o projetista optou por polarização em ponte e calculou uma polarização para Q1 e simplesmente repetiu para Q2, não está de todo errado mas também não está de todo correto. Se fizer a conta I= V/R tem-se em torno de 1mA ou pouco mais em cima de Rc nos dois casos.

  Os capacitores C1, C2, C3 e C5 têm todos o mesmo valor ficando C1 por exemplo com um valor exageradamente alto.

  Tem que se levar em conta que nos anos 60 cálculos de amplificadores ainda era muito segredo e não estava tão difundido e automático como agora, ainda não se sabia muita coisa e tudo era feito de modo bem acadêmico.

  As placas de circuito não vinham impresso os valores ou numeração de componentes, o montador olhava uma placa pronta e ia montando as outras, desse modo simplificação de montagem era essencial, valores iguais de componentes mesmo que no cálculo desse valores diferentes era um fato consideravel para simplificar, desde que não comprometesse o funcionamento do circuito.

  Se recalcularmos esse circuito com mais critério (mesmo de forma prática) muitos dos valores poderiam estar diferentes.

  Apesar da simplicidade do circuito era um amplificador com dois canais iguais (um o sinal ia também para o reverberador e trêmolo) ou outro era seco. Cada pré com dois jacks de entrada (de boa qualidade) que é um componente mecânico caro, amplificadores sofisticados de hoje tem apenas um.

  Ainda vinha com mais um pré destinado a toca disco e microfone (nada de economia porca como os aparelhos de hoje).

  continua. . .

Tuesday, March 24, 2020

Post 77 - Configuração Autopolarização ( Self-bias ) de novo

   No post 73 eu demostrei como calculo de forma prática a polarização de um transistor em ponte (sem ser acadêmico demais). Falta então a autopolarização como se calcula de maneira mais detalhada pois de maneira bem mais simplificada eu postei logo no início deste blog (posts 3 e 4).

  A diferença principal entre a polarização em ponte e a autopolarização é que na autopolarização a polarização fica trancada, ou auto ajustada, ou automática (dai o nome auto-polarização), mesmo que se modifique a tensão DC (CC) que alimenta o circuito tudo permanece polarizado, o que muda é a corrente de coletor. É também chamada de polarização por realimentação porque o resistor de base retorna parte do sinal do coletor para a base com a fase invertida (isso diminui um pouco a amplificação em ganhos muito altos).

  Na polarização em ponte se mudar a tensão DC tem que recalcular tudo, ou seja muda todos os valores de resistores. Na realidade é chamada de polarização em ponte H porque o posicionamento dos 4 resistores ao redor forma a letra H sendo a base do transistor a linha do meio onde transita as correntes. Como não tem resistor de realimentação o ganho máximo é máximo mesmo (ver o desenho no post 73).

  O início do processo é o mesmo já explicado da polarização em ponte no post 73. Determina-se uma corrente para o coletor bem maior que a corrente que será injetada na base (baseda na potência da fonte sonora a ser amplificada levando em conta o valor da tensão AC de sinal pois a corrente é geralmente muito baixa). A partir dessa corrente calcula-se o resistor de coletor Rc. Daí para frente o processo é mais simples sem precisar de conhecer o beta (Hfe) do transistor.

  Cálculo de RC aproximado

  Assim como na polarização em ponte a tensão de alimentação será dividida por 2 para que se possa obter mais ou menos o ponto central na reta de carga, porém convém aqui somar mais alguns detalhes.

  Leva-se em conta também a tensão de saturação do transistor entre coletor e emissor (como visto no post sobre cálculo nos transistores de saida do amplificador Giannini), deve-se considerar o VCEsat que para transistores pequenos de 0,5V a 1V assim usa-se 0,7V sempre (mesmo que no datasheet mostre um valor diferente).

  Considera-se também a queda de tensão entre base e emissor 0,65V ou 0,7V (0,7 é melhor para pequenos transistores).
  Assim a queda de tensão imposta pelo resistor Rc deverá ser = VDC/2 + 0,7V + 0,7V sempre.
  Como exemplo será estimada uma corrente de 0,5mA sobre Rc e uma tensão de alimentação de 12V.

  Tensão Rc = 12V/2 + 0,7V + 0,7V = 7,4V

  Rc = V / I = 7,4V/0,0005A = 14800Ω ≈ 15K

  A tensão medida entre o coletor e o terra será ≈ 12V - 7,4V = 4,6

  Estas tensões são todas estimadas e podem variar ligeiramente conforme a corrente escolhida.
  O aumento de 0,7V + 0,7V é fixo para qualquer tensão DC e assim não sendo proporcional haverá sempre uma pequena margem de erro ao se mudar a tensão de alimentação, mas é mínimo considerando um cálculo prático.

  Cálculo do resistor de base Rb (ou de realimentação Rr)

  O resistor de base depende de quanto de corrente de sinal será permitida entrar na base, está deverá estar entre umas 50 vezes a 100 vezes menor que a corrente de emissor (geralmente uso de 70 a 100), assim no exemplo:

  Ib = 0,0005A / 100 = 0,000005A = 5uA 

  Ib = 0,0005 / 70 = 0,000007A = 7uA  (para maior corrente na base)

  No caso de ser preciso permitir uma corrente ainda maior na entrada então deve-se estimar para Ic uma corrente bem mais alta (e abaixo da corrente máxima que o coletor do transistor suporta, ver no datasheet) ou também se possivel aumentar a tensão DC da fonte.

  Então o valor de Rb será 7,4V / 0,000005 = 1480000Ω ≈ 1M5 (ou de maneira bem mais facil 100 vezes maior que Rc)

  ou com 70 vezes menor 7,4V / 0,000007 = 1057142Ω ≈ 1M (ou 70 x Rc ≈ 1M)

  Poderia ser usado até umas 10 vezes menor (Rb = 10 x Rc = 10 x 15k = 150K) mas nesta condição o ganho de amplificação cai, o ponto na reta de carga fica mais longe do centro não pemitindo um swing perfeito da onda se na entrada o sinal tiver uma tensão muito alta (umas das fases da onda poderá ter a crista cortada).

  Valores para Re

  O resistor de emissor pode ter qualquer valor até mesmo um valor igual a Rc (ganho unitário), vai depender do ganho que se quer na saida do coletor. Costuma-se referir como o ganho sendo o valor de Rc/Re mas não é bem a realidade pois a medida que se quer um ganho bem maior o ganho tende a cair bastante (começa a cair a partir de umas 25 a 30 vezes). A tabela abaixo dá mais ou menos uma ideia com 12VDC e um transistor BC550 ,o beta do transistor praticamente não influe (a menos que seja baixo demais):

  Na primeira coluna extraido num simulador no computador e na segunda na situação real com oscilador e osciloscópio associando resistores de modo a conseguir o valor da resistência obtida para Re o mais próximo possivel.

  Re = Rc         ----------- ganho =  1            ganho = 1
  Re = Rc/3      ----------- ganho =  2            ganho = 3
  Re = Rc/5      ----------- ganho = 3,4          ganho = 5
  Re = Rc/8      ----------- ganho = 5,4          ganho = 8
  Re = Rc/10    ----------- ganho = 6,7          ganho = 10
  Re = Rc/12    ----------- ganho = 8             ganho = 12
  Re = Rc/15    ----------- ganho = 10           ganho = 15
  Re = Rc/20    ----------- ganho = 13           ganho = 20
  Re = Rc/25    ----------- ganho = 16           ganho = 25
  Re = Rc/30    ----------- ganho = 18,8        ganho ≈ 28
  Re = Rc/34    ----------- ganho = 22           ganho ≈ 31,5
  Re = Rc/45    ----------- ganho = 27           ganho ≈ 39,6
  Re = Rc/55    ----------- ganho = 32           ganho ≈ 48
  Re = Rc/65    ----------- ganho = 36,6        ganho ≈ 54
  Re = Rc/75    ----------- ganho = 41           ganho ≈ 61
  Re = Rc/100  ----------- ganho = 51           ganho ≈ 76
  Re = Rc/150  ----------- ganho = 67,5        ganho ≈ 96
  Re = Rc/200  ----------- ganho = 80           ganho ≈ 100
  Re = Rc/300  ----------- ganho = 99           ganho ≈ 136
  Re = Rc/500  ----------- ganho = 121         ganho ≈ 160
  Re = Rc/1000 ---------- ganho = 145         ganho ≈ 185
  Re = zero      ----------- ganho ≈ 160         ganho ≈ 200

  Da pra ver que não dá pra confiar muito em simuladores digitais. Ao que parece o programa mostra um valor de pico mas calcula em RMS (multiplicando por 1,414 se obtém um valor próximo ao da segunda tabela).

  Diminuindo tensão de alimentação DC o ganho tende a cair e vice-versa mas nada tão exorbitante.
  Para que tudo fique estavel mesmo mudando a tensão de alimentação alguma coisa tem que mudar, a corrente que foi estimada para Rc aumenta mais ou menos linearmente quando se aumenta a tensão DC (e vice-versa). Os 500mA em 12V passa para 1000mA em 24V no exemplo.

  A corrente estimada para calcular Rc se for muito baixa dará um valor muito alto para Rc, isto fará os ganhos da tabela cairem um pouco (vice-versa se a corrente for muito alta), a tabela dá uma ideia aproximada.

  A autopolarização permite que o transistor funcione até uma tensão mais baixa que 6V (até uns 4V funciona) enquanto que na polarização em ponte 6V já é começa a ser pouco para funcionar.

  Tudo isto visto só é válido para simples pré-amplicação de sinal, caso em volta do circuito seja adicionado componentes para funcionar como filtros de frequências (tipo Sellen-Key ou outros) certamente os valores de ganhos poderão ser diferentes pois deverá ser usado as fórmulas dos filtros.


Wednesday, February 19, 2020

Post 76 - Polarizando um Giannini - Otimizado - Final

  Fonte de alimentação

  O mais simples possivel, nada de diodos especiais, de capacitores anti-pick entre os diodos, nada disso, 4 1N4007 e dois capacitores de 3300uF/50V se o amplificador for usado para se ouvir música, se for para guitarras até 1000uF dá, no entanto 2200uF hoje em dia não estão caro mais. Nem é necessário desenhar o esquema aqui.

  Guitarras não alcançam frequências tão baixas, a necessidade de ser ter capacitores de maior capacidade é para música ou instrumentos que alcançam frequências abaixo de uns 60hz pois essas notas graves ao serem tocadas puxam muita corrente da fonte descarregando os capacitores de filtro da fonte muito rapidamente não dando uma boa filtragem no momento dessas notas.
  Assim algum ruido Humm passa para o circuito tirando a nitidez dos graves. Logicamente capacitores de maior capacitância carregam e descarregam mais lentamente.

  O que está embutido na coisa (não está nos livros, a escola não ensina e pouca gente sabe) é que a quantidade de capacitância também depende do trafo, não só da corrente que sobra no trafo além da necessidade que o circuito puxa, como também da propria construção do trafo e de seu cálculo.

  Não explicarei detalhadamente aqui pois teria que explicar tudo sobre transformador mas dá pra adiantar que um trafo calculado com economia de espiras nas bobinas e economia de potência e dependendo da propria construção da bobina (nos EI) irá precisar de mais capacitância na fonte, seja um trafo de laminação tradicional “E” ”I” ou um trafo toroidal. Não é só o “ripple” da fonte ou o tanto de corrente que se puxa nos graves.

  Um trafo para este amplificador

  Este foi o trafo que eu calculei e construi me baseando em 45W de potência sonora e baseando em uma potência nominal de 70W (ou VA como a maioria prefere).
  Logicamente se ajustar o sinal de entrada e o ganho do amplificador para se obter apenas 35W (menor aquecimento nos Tip41C) vai sobrar potência no trafo. Poderia então ter sido um trafo menor, de menor potência, mas esse foi o que construi e pode servir para qualquer amplificador que use aproximadamente as mesmas tensões de até 50W de potência sonora que aguenta bem.

   Laminação GNO comum ou recozida (usei recozida) formato EI de perna central 2,8cm e lâminas de espessura 0,5mm.

   Empilhamento formado de 4,2cm no mínimo (não precisa ser exato, pode ser 4,25 ou 4,3 dependendo da construção do carretel). Mais ou menos 1,550kg de ferro.

  Carretel de papelão, espessura da base menor que 1mm (mais ou menos 0,8mm), espessura das paredes laterais e do meio (abas ou flanges) em torno de 1mm. Eu faço com dois papelões bem rigidos mais finos colados um no outro com epoxi dando 1mm. Num post passado de amplificador valvulado mostrei mais ou menos como faço (depende da criatividade de cada um).

  Divisão do carretel

  A flange do meio (que divide o lado do enrolamento primário e secundário) deve ser colada na base deixando exatamente 21,5mm para o primário e 18,5mm para o secundário.
  21,5 + 18,5 = 40mm sobando 2mm para colar as flanges laterais de 1mm cada (a base interna da lâmina tem 42mm). Se isso ficar mal dividido no final um dos lados fica dificil de caber todas as espiras pois os enrolamentos ficam bem cheios.

  A maioria no Brasil enrolam trafos um enrolamento sobre os outros (não é muito a minha preferência), pode ser feito assim também que certamente cabe se for enrolado bem apertado.

  Enrolamentos

  É possivel enrolar este trafo manualmente desde que se tenha um eixo qualquer para colocar o carretel de forma a gira-lo com a mão, mas logicamente uma bobinadeira simpels qualquer torna o serviço muito mais facil.

  Primário - 496 espiras - fio 25AWG para 127V (ou 468 espiras + 28 espiras 120V + 7V como eu fiz). 364 espiras - fio 27AWG (extensão para 220V). Enrolamentos diretos fio sobre fio.

  Secundário - 108 + 108 espiras - fio 21AWG em enrolamento bifilar com tomada central (27,5V CT 27,5V). A maioria de enroladores de trafos detestam fazer enrolamento bifilar pois em algumas bobinadeiras fica bastante dificil e a coisa fica praticamente manual, ai enrolam 108 e depois mais 108 por cima um do outro e ficam caladinhos (ai, haja capacitor pra filtrar a fonte).

  Ainda é possivel colocar umas 14 espiras de fio 33AWG (ou 34) sobre o lado enrolamento primario para ligar um led de painel completamente separado da fonte, isso é opcional. Um led ligado direto no trafo elimina completamente uma possibilidade de vazamento de loop (ruido humm) por causa de um led no circuito DC. Usei plaquinha de cobre colada para soldar fios (ao invés de fios saindo)

  E também é possivel 46 + 45 espiras (11V CT 11V) de fio 33AWG em uma camada sobre a outra para uma fonte de pré amplifcador separada opcional enrolado sobre o lado do secundário (não errei não, a camada de cima é 45 espiras mesmo).

  Os fios foram todos de 180° graus Celcius de aquecimento cujo isolamento é mais grosso (fio pra enrolar motor), isso faz com que as bobinas ocupem mais espaço, o ideal é o fio para 130° graus Celcius que ocupa menos espaço mas é mais dificil de achar vendendor destes.

  Eu esqueci este amplificador ligado por uma semana e trafo apenas mornou um pouco (enquanto melhor a qualidade das lâminas e o aperto delas menos esquenta).


Wednesday, February 5, 2020

Post 75 - Polarizando um Giannini - Otimizado - continuação

   Dissipador de calor - esse é problema

  Usei um dissipador de aluminio de 12cm por 10cm em formato ” L “ por mais ou menos 1,5mm (um pedaço de vergalhão que achei na rua), é pequeno para a potência máxima (esquenta pra burro). Se for pra utilizar o amplificador com a potência máxima seria necessário um dissipador mais grosso e maior.

  Os transistores de saida também poderiam ser trocados por um mais potente tipo o MJE3055 (que é um pouco menos potente que o 2N3005 normal), ou mesmo algum da seria 2n3055 sem ser o MJE (o MJE é mais barato), porem são mais caros que Tip41C.

  O normal na montagem de um amplificador de guitarra barato é usar o proprio chassi como dissipador com uma pequena barra de metal como reforço no ponto onde estão aparafusados os transistores pelo lado oposto no chassi. Utilizar um pré-amplificador com uma saida de tensão menor que 0,81V dando uma folga para que não se utilize a potência máxima (um resistor em serie atenuando a entrada).

  Assim acredito que até uns 35W este esquema vai bem sem torturar os Tip41C.

   Montagem de teste
  Esta é a montagem para o teste, em Q3 primeiro usei um BC337 que esquenta bastante na máxima potência, depois substitui Q3 por um BD139 (o que se vê na foto) e o aquecimento é mínimo. Até os 35W um BC337 vai bem já que a ideia deste amplificador foi ser uma coisa bem econômica.

  Criei espaço na placa para a opção de usar um ou outro inclusive podendo deitar o BD139 (na foto está em pé).

    Os resistores de 0R33 usei 3 de 1 ôhms em paralelo por serem mais baratos e para o teste da watagem necessária. Na foto ainda está misturado 3 de 1/4 de watt e 3 de 1/2 watt para ver se o teste coincide com o cálculo feito no post 69. Usando 3 de 1/2W mostrou que 1W e meio é o suficiente. Podem ser substituidos cada grupo de 3 por apenas um de 0R33 em cada.

   Desenho da placa
   Vista das peças por cima, as trilhas estão por baixo. Melhorei a posição da fonte e os capacitores em relação a montagem da foto, na foto um dos capacitores dificultava de apertar o parafuso do transistor de saida. 

    Placa com o traçado
     Está do lado pronto para imprimir numa laser e transferir com um ferro de passar roupa (a técnica mais simples de fazer), assim na placa de cobre a visão será ao contrário em espelho. A placa tem 10cm e no lado dos transistores de saida pode ter 7cm a 10cm (7cm é o mínimo). O dissipador transpassa por cima da placa cerca de 1cm para parafusar junto, se a placa for mais larga permite o uso de 2 parafuros a mais. 

    Há espaço para um resistor para um led indicador (on/off) e dois resistores redutores de tensão para uma enventual saida de tensão para um pré. Todos estão marcados como Rled pois pode tirar o led de qualquer ponto. Num dos pontos é retirado da tensão AC (melhor pois evita ruido humm).



  

Wednesday, January 22, 2020

Post 74 - Polarizando um Giannini - Otimizado

    Os valores dos componentes no esquema final otimizado observando a onda quadrada e a senoidal aplicada na entrada com o máximo valor de tensão da senoidal até antes de ceifar os picos, em varias frequências no software Multisim, e montado e testado numa placa real. Logicamente no virtual é uma coisa, no real é outra e alguns os valores estão mais abaixo para comparação.

  A faixa de frequência ficou bem melhor mas não chega a ser um amplificador Hi-Fi para se ouvir música, abaixo dos 70hz a tensão de saida começa ter uma ligeira queda (hi-fi é abaixo dos 30hz).

  Na região aguda acima dos 50KHz a onda quadrada já se torna uma onda trapezoidal, embora assim na década de 1970 era considerado Hi-Fi, hoje não é mais, existem na atualizada circuitos bem mais elaborados que mantem a forma de onda quadrada perfeita numa extenção de frequência bem maior. Contudo a forma de onda quadrada se mantem bem até os 30KHz que é acima dos 20KHz que é o máximo que o ouvido alcança (quando se é jovem).
  Nessa região esses harmônicos de alta frequência dependem quase que exclusivamente do valor do capacitor C3 (filtro Miller), sem esse capacitor geralmente o circuito fica muito sensivel nos agudos e por qualquer razão pode começar a apitar (não filtra os harmônicos e passa tudo).

 Enquanto maior o valor mais abaixa a frequência de corte dos harmônicos e isso deforma a onda quadrada fazendo ela ficar mais em forma de trapezio, porem na forma senoidal não muda praticamente nada.



  O valor de 10pF foi o menor valor conseguido sem muito “ringing” na onda quadrada observada no software multisim. Ringing se caracteriza por um execesso de brilho quando se ouve instrumentos de agudo (só se nota se tiver muito ringing), já na forma de onda quadrada a reta do topo da onda parece que está passando um minhoca ou cobra pequeninina no início da reta ficando reta em seguida. Para um amplificador de guitarra esse valor está exagerado e pode ser aumentado entre uns 30pF até uns 50pF (alguns amplificadores de guitarra usam até 100pF).

  O Slow-rate não é ruim mas não é lá grande coisa pois o circuito é simples demais (por isso não é Hi-Fi), Slow-rate é a velocidade do traço de subida e de descida da onda quadrada, se esses traços são muito lentos o quadrado fica parecendo meio em forma de trapezio (ver em 50Khz como é lento). Transistores de transição mais rápida melhora isso.

  O nivel de ruido chamado THD eu não tenho equipamentos para medir mas acredito que seja muito baixo (provavelmente abaixo de 0,2%), para comparação um amplifcador valvulado bom esse ruido é acima de 1% (em amplificadores de guitarra é sempre maior que 3%).

  Para um amplificador sem grandes pretenções devido a simplicidade do circuito para os ouvidos normais dá pra ouvir música tranquilamente com um som limpinho.

  Teste com potência máxima

  Com tensão de +37V e -37V (ao invés de 36V, no cálculo do trafo deu 1V mais alto).
  Variando o valor de R5 responsavel pelo ganho dependendo se trafo segura a potência, quando o trafo não segura o ruido humm tem seu volume aumentado e é ouvido.

 Multisim - R5 = 0,33Ω - senoidal na saida = 20,75V = 53,8W - máxima entrada 1,22V

 Na placa - R5 = 0,33Ω - senoidal na saida = 17,84V = 39,8W - máxima entrada 0,81V

 Na placa - R5 = 0,25Ω - senoidal na saida = 19,05V = 45,3W - máxima entrada 0,81V


  Continua . . .