Wednesday, October 24, 2018

Um valvulado mais simples


Post 57 - Guibson Falcon - transformador de saida de audio

  Não adianta nada ter esquemas e desenhos de placa (isso está cheio na internet) de um amplificador valvulado e não ter o prinicipal, um trafo de audio adequado para o circuito.

  O trafo descrito aqui foi calculado e projetado por mim (não é copiado de nenhum) logicamente pode ser bem parecido com os usados em circuitos semelhantes, por exemplo, o amplificador Blues Jr. da Fender tem um circuito semelhante e claro o trafo de um serve no outro e podem ter semelhanças físicas. Também não conheço o trafo original do Guibson Falcon (não tenho a mínima ideia).

  É muito dificil de explicar todos os detalhes de como se constroi um trafo de audio, o máximo que posso fazer aqui é dar mais ou menos uma ideia. Está é maneira que geralmente enrolam por ai (os que enrolam bem), não é a melhor mas é a mais prática.

  Dados do trafo

  Trafo push-pull de 15W para um par de EL84, 6900Ω para 8Ω, frequência mínima de corte 70hz.
  Tensão de referência 322V, está é uma tensão usada no cálculo e não significa que o amplificador tenha que funcionar obrigatoriamente com está tensão, serve apenas de parâmetro de comparação de tensão do circuito que será usado o trafo. No circuito do Falcon com 300V a 310V que foi a tensão projetada na fonte, funcionará satisfatoriamente, uma diferença muito grande de tensão pra cima ou para baixo (mais de 50V) desviará um pouco os valores dados. O desvio destes valores causará variação no rendimento e (ou) distorção.

  Carretel, lâmina e fios

  Lâmina de perna central de 1,9 cm (facilmente encontravel), funciona com qualquer lâmina GNO comum (grão não orientado), logicamente com lâminas de qualidade melhor se terá mais rendimento. As lâminas são colocados intercaladas igual em trafos de força.

  O carretel deverá ser construido tendo as medidas internas de 19mm por 24mm (empilhamento das lâminas). Essa medida costuma-se encontrar um carretel padrão de plástico mas não é dificil construir um carretel de papelão rígido aproveitando caixas de embalagens. Até um milímetro a mais ou a menos no empilhamento pode ser aceitavel sem notar grandes diferenças.

  As paredes laterais do carretel (flanges) não devem ser mais grossas que 1mm assim como a base onde se enrolam as espiras. Uma cola epoxi ajuda a dar rigidez ao papelão.

  Os fios ideais são os feitos para suportarem até 130° ou 155° graus Celsius (geralmente coloridos vermelho ou verde) porque têm encapamento mais fino e cabem mais espiras, porém são mais dificeis de encontrar para comprar em pequenas quantidades. Se feito com estes fios pode-se colocar um papel manteiga (0,05mm) entre cada camada de espira do primário. É mais facil de enrolar tendo papel entre cada camada.

  Caso se enrole com fios para 180° ou 200° Celsius (fios para motores) que são os mais vendidos no Brasil, então o enrolamento será feito fio sobre fio sem papel entre as camadas. Somente terá papel entre primários e secundários.

  Número mínimo de espiras do primário 1160 +B 1160 espiras total 2320 espiras divididas em 10 + 10 camadas com 116 espiras cada mais ou menos. (se uma camada levar por exemplo 118 como nas camadas iniciais, as camadas por cima levarão menos espiras). Para este caso o número de espiras do secundário será 81 espiras (41 espiras numa camada e 40 na outra) duas vezes (por baixo e outro por cima).

  Se for enrolado com os fios de menor temperatura pode-se fazer 117 ou 118 espiras por camada (com 118 tem-se um total de 2360) e nestes dois casos o secundário tera 41 + 41 espiras.

    Fio do primário = 33 AWG
  Fio do secundário = 23 AWG se for o de menor temperatura, se for usado o fio de maior temperatura não será facil acomodar 41 espiras numa camada (depende de quanto as paredes da laterais roubam de espaço interno no carretel), neste caso é mais garantido usar o fio 24AWG (perde-se alguns miliwatts no ganho geral).

  Disposição dos enrolamentos

  Todos os enrolamentos são enrolados no mesmo sentido.

  Começa-se enrolando o secundário junto ao núcleo, duas camadas (vai e volta), a ponta inicial é a ponta de 8Ω e a final será o terra.
 
  Na face oposta do carretel (do outro lado da laminação) enrola-se todo o primário, 10 camadas do primeiro bloco com a terminação no meio (conexão +B), continua mais 10 camadas do segundo bloco. O primeiro bloco o enrolamento terá uma resistência ôhmica em torno de 88Ω e o segundo bloco estando por cima com espiras mais longas uma resistência em torno de 100Ω (está é uma desvantagem de se enrolar dessa maneira infelismente). Assim se tem as duas pontas para as placas das válvulas e a ponta +B no meio.

   Do outro lado da face onde começou o secundário faz-se a mesma coisa novamente, enrola-se mais duas camadas de fio 23AWG (ou 24) fazendo os terminais coincidirem pois serão emendados em paralelo ficando um secundário no início do carretel e outro sobre a bobina. Este é o entrelaçamento de enrolamento mais simples de fazer.

   Neste enrolamento pode-se fazer uma derivação (Fb) para realimentação do circuito ao invés de pegar a realimentação direto da saida de 8Ω, acho que funciona melhor assim (esta saida não é de 4Ω). A saida fica na mesma face das conexões G e 8Ω porém do lado oposto.

  Para cada ponta de fio vai se fazendo furos na flange de papelão, pode-se calcular as alturas baseando no diâmetro de cada fio e quantas camadas são de cada e fazer os furos antes de começar pois os furos podem ser largos em caso de cálculo errado (geralmente faço a medida que vou enrolando).

  Ao final dobra-se as pontas por cima e solda-se os fios de rabichos externo de ligação.

  Entre as camadas adjacentes de secundário e primário para isolar um papel ofício de impressora serve (de preferência levemente pintado com poliuretano) e mais uma camada de papel manteiga impermeavel (no mínimo 0,12mm de espessura de papeis), deve-se ter cuidado com o isolamento nos cantos do carretel, um mal isolamento pode ocorrer faiscamento entre primário e secundário principalmente no enrolamento de cima.

  Maquinário para enrolar

   Logicamente será necessário algum maquinário que pelo menos gire o carretel (um eixo com uma manivela). O fio 33AWG é bastante fino e muito dificil de se conseguir enrolar as espiras certinhas lado a lado e esse passo quando feito manualmente é mais dificil e lento de se conseguir. Não é necessário perfeição (as espiras podem eventualmente passar umas sobre as outras) mas deve-se tentar manter o mesmo número de espiras por camada. O enrolamento tende a engordar quando isso acontece, mas já está previsto no cálculo da altura este engordamento.

  Não tendo um contador automático de número de espiras pode haver engano ao se contar as espiras a medida que se enrola. Cada camada comporta 116 espiras (com certa folga), ao final até 1% de erro no número de espiras entre um bloco e outro (umas 20 espiras) não causará grandes diferenças se isso acontecer.
  Já o secundário é facil de colocar as espiras certinhas e conta-las mentalmente.

  No Youtube há varios exemplos de como construir uma bobinadeira das mais simples as mais sofisticadas.

  No meu apostilão tem explicado com desenhos as diferentes maneira de entrelaçamentos, o porquê de cada coisa, todas as fórmulas e todo o processo de cálculo e varios exemplos.


Monday, September 24, 2018

Um valvulado mais simples


Post 56 - Guibson Falcon - placa do controle de tonalidade

  Esta é a plaquinha do controle de tonalidade que sendo separada da placa principal reduz o número de fios que vai nos potenciômetros e prende os mesmos juntos não deixando eles rodarem se algum parafuso que os prende no painel se afrouxar.


  Dessa maneira é também possivel trocar o circuito de tonalidade por outro diferente (em caso de experimentação) pois o circuito fica completamente separado. No esquema os componentes estão numerados mas neste desenho da placa já estão direto com os valores.

  Houve a inclusão do capacitor de 3,9 nanofarady (392) no controle de médios (na foto de um post bem anterior a placa não tem esse capacitor), a razão foi atenuar um pouco os médios pois estavam fortes demais enfeiando o som.

  No desenho a placa esta vista do lado do cobre (os componentes estão do outro lado), se feita a placa usando a técnica do ferro de passar o desenho deve ser invertido em espelho.

  As conexões dos fios são soldadas direto nos terminais deixados na placa, as pontas dos fios do outro lado leva um Molex Housing conector de 5 pinos para encaixe na placa principal. Os fios são comuns não necessitando nada shildrado (com malha de terra).

  A plaquinha tem exatamente 10cm x 2cm e os 4 potenciômetros distanciados de forma a caber em 10cm para Knobs modelos de pedal boss (mostrados numa foto em um post bem anterior).

Friday, September 14, 2018

Um valvulado mais simples


Post 55 - Guibson Falcon - placa de componentes - pré

    Seguindo o esquema do post 50 (apenas o pré) esta é placa que usei, não é a definitiva pois pretendo desenhar uma com pré e potência juntos para diminuir a quantidade de fios conectados, mas para facilidade de montagem, módulos separados são melhores para ajeitar enventuais erros ou troca de componentes.

  O lado da placa mostrado está na posição vista de componentes, para imprimir o traçado usando a técnica do ferro de passar já está do lado certo, se usado outro método precisa inverter o desenho (tipo espelho).

   Eu modifiquei o trafo para 9,5V CT 9,5V (ao invés de 12 + 12) e assim na placa não existe o trimpot de regulagem de bias que consta no esquema, no lugar tem dois diodos 4001 em serie. A opção de dois para ser possivel se necessário diminuir a tensão negativa um pouquinho. A tensão retificada já fica em torno de 12V (ao invés de 14 ou 15). Pode-se optar por colocar um trimpot na placa da fonte ou modificar o desenho desta incluindo um trimpot.

  Os pequenos retangulos são conectores encaixaveis chamados de Waffer connectors 2,54mm da Molex (tem de 2 pinos, 3 pinos, etc) com os respectivos Housing connectors (que encaixam) e logicamente vendem os pinos de encaixe para soldar os fios neles separados. São baratos e evitam a quantidade fios soldados na placa (fica tudo encaixado). Pode-se também usar os Pins Headers (mais barato ainda) mas estes são mais dificeis de achar os encaixes separados.

  O cuidado que se deve ter é com o fio que vem do trafo de saida (o que vai para o alto falante) no ponto da placa onde será a realimentação negativa (Fb 8 ôhms), este fio deve passar bem por baixo da placa e distanciando dos componentes de entrada pois dependendo da posição deste fio pode acontecer de ao aumentar o volume e abrir os agudos o circuito oscilar dando um apito agudo. Pode-se usar um fio de microfone aterrando a malha do fio num dos lados apenas (tem um ponto terra na placa da potência que deixei para isto), mas geralmente não precisa podendo usar um fio qualquer fino e o mais curto possivel.

  Ainda ficou muita conexão de fios pois este amplificador ainda não é o definitivo, no definitivo (quando eu fizer) será observado e melhorado em todos os detalhes possiveis.


Tuesday, August 21, 2018

Um valvulado mais simples

Post 54 - Guibson Falcon - controle de tonalidade, jacks e o que não está nos livros

  No amplificador anterior (com 6L6) eu usei um controle de tonalidade estilo Baxandal que acho mais eficaz do que o tone stack que é o mais usado em amplificadores de guitarra, no entanto o baxandal rouba mais volume entre o sinal que entra e o sinal na saida depois dos potenciômetros porque estes estão mais separados (não estando em serie) e assim baixam a impedância.

  No tone stack estão um por cima do outro como se fosse apenas um grande poteciômetro com divisões, 3 divisões quando se quer ter graves, médios e agudos, e ai os médios nem sempre funcionam bem. O médio aqui já foi separado estando no circuito anterior do mid-scoope justamente para se ter uma atuação melhor. Tem-se então duas divisões.

  Estando um por cima do outro (tipo em serie jogando para o terra) a impedância é mais alta entre o sinal e o terra (não matando tanto o sinal) e neste pré por ter apenas uma válvula (dois estágios ativos) é necessário não perder ganho.

Funcionamento

  O capacitor C5 na realidade não é necessário no circuito, mas se ele for excluido o demais capaciores dos filtros de tom terão que ser todos para alta tensão (acima de 250V) geralmente mais dificeis de encontrar e mais caros. Acho que já falei isso anteriormente e livro nenhum atenta para esse detalhe, nem mesmo os fabricantes de amplificadores. O valor dele deve ser mais alto (47nanofaradys ou maior) para deixar passar bastante as baixas frequências e é o único para alta tensão (400V). Ele barrará a tensão contínua de polarização da válvula deixando passar só o sinal de tensão alternada (assim os outros capacitores não precisão barrar DC).

  C6 deixa passar só os agudíssimos, com 150picofaradys o som fica extremamente brilhante, depende do gosto (220pf ou 250pf adiciona um pouquinho mais de médios). O potenciômetro de agudos, ou colhe só agudos ou atenua (depende da posição do cursor).

  Do lado da atenuação adicionei um capacitor (C8 de 10nF) que geralmente não tem num tone stack. A função dele é tirar completamente o brilho (tal qual quando se tira o brilho no potenciômetro da guitarra (pra quem gosta de tocar Jazz). Assim o potenciômetro terá uma atuação bem eficaz.

  O potenciômetro de grave é o que atua com menos ênfaze, não porque não é possivel ter uma forte acentuação de graves, mas é porque graves demais rebenta alto falantes (ainda mais num combo pequeno). R18 mata um pouco dos graves/médios vindo de C9 jogando o sinal para o terra (um pouco do volume vai junto) e C7 passa mais graves. R17 ajusta o volume do controle de graves em relação ao controle de agudos (diminuindo R17 os graves soarão mais alto).

  A saida do volume pode entrar direto no pino 2, não precisa de R1 e C1 do circuito amplificador (a numeração está separada para a unidade de potência e R1 e C1 estão no desenho da unidade de potência - ver no desenho do post 50 ou 48).
  No caso de ser usada a potência sozinha (sem pré) é conveniente ter R1 e C1. Retirando eles do circuito o ganho aumenta um pouco porque C1 tende a cortar um pouco os graves por ser de baixo valor (além do que, qualquer capacitor em serie com o sinal sempre rouba um pouquinho de volume).
  R1 limita a impedância de entrada se C1 for mantido no circuito, abaixo de 470K começa a se perceber diminuição do volume. Sem C1 o potenciômetro de volume passa a ser quem dita a impedância de entrada.

Jacks isolados do chassi - o que ninguém explica em canto nenhum

  No amplificador anterior (com 6L6) eu usei jacks de entrada isolados do chassi (dificeis de achar para comprar dependendo do modelo que se quer). A razão é que no outro pré tinha-se 4 estágios (duas válvulas) e o ganho era alto demais e era atenuado parte pela serie de resistores de cada estágio para a devidas funções, e parte do sinal era atenuado baixando a impedância jogando o sinal para o terra ( o potenciômetro de volume era de apenas 10K).

   Isso faz com que a entrada fique sensivel a ruido humm se os jacks estiverem diretos no chassi pois haverá um loop entre o terra do chassi no jack com o terra da placa do pré (o terra no jack deveria ser o mesmo da placa do circuito de pré e não o do chassi), é o mesmo terra mas estão em diferentes distâncias em relação ao ponto terra estrela. Pode-se fechar esses dois pontos sem problema desde que os potenciômetros do circuito tenham altos valores de resistência pois baixos valores se terá mais loops ainda.

  Potenciômetros de valores pequenos fechando entre o sinal e o terra (principalmente o de volume), ao fechar o potenciômetro zerando o volume se percebe um leve ruido humm e ao aumentar o volume no máximo se percebe o mesmo humm, porém o ruido some se o potenciômetro não estiver totalmente nos extremos. Neste caso é necessário os jacks isolados do chassi.

  Neste pré a impedância é alta no geral em cada estágio pois é necessário aproveitar todo ganho sem atenuação, assim tem-se uma resistência alta no loop separando o terra do chassi do terra na placa (uma resistência alta entre os dois pontos distantes opostos de terra). Você leitor desse blog, já viu isso em algum livro ou explicado em algum lugar, mesmo escrito em Ingles?


Wednesday, August 8, 2018

Um valvulado mais simples


Post 53 - Guibson Falcon - pré continuação

Seguindo o mesmo desenho anterior
Retificador de sinal

  No pré do amplificador com duas 6L6 esta parte eu fiz um retificador de onda completa com 4 transistores (expliquei o funcionamento), neste para ser mais simples é usado uma retificação de meia onda com apenas dois transistores. A desvantagem é não ter um melhor controle do tempo em que os leds permanecem acessos (o tempo deve ser bem curto).

  O sinal entra no Fet Q2 para amplificar bastante o sinal (igual do outro circuito), os resistores R24, R26 e R28 regulam ou ajustam mais ou menos o controle de tempo e brilho dos leds, sendo R26 que ajusta um pouco melhor o tempo que estes permanecem acesos. R28 ajusta o ganho do BC548 e assim responsavel pelo brilho do led.

  O Fet usado foi o 2sk117 ou 2sk30, se for usado outro fet pode ser que o valor de R26 tenha que ser modificado de forma a fazer os leds acenderem com pouco brilho para que se apaguem rapidamente. Os LDRs a serem iluminados não precisam de leds acendendo tão fortes.

  Depois de C13 a retificação se dá da seguinte forma, o diodo junto ao terra joga os flancos negativos da onda para o terra e os outros diodos deixam passar só os flancos positivos. R29 e 30 são de 10K justamente pra fazer os leds consumirem menos e não acenderem tão fortes.

  Quando há sinal os leds acendem baixando a resistência dos LDRs, O LDR que está em serie com os diodos joga os picos do sinal pra terra fazendo o sinal distorcer, ao ir se apagando o sinal vai limpando se tornando “clean” e assim o efeito é uma especie de simulador de “crunch”.

  O LDR que está em serie com o sinal de feedback vindo do trafo de audio estará com baixa resistência (quando o led acender) deixando passar mais realimentação e assim diminuindo ligeiramente o ganho da potência que vai aumentando a medida que o led for se apagando. O efeito é um pouquinho de sustain nas notas tocadas e sem nenhum ruido quando não há sinal pois atua direto na potência e não no pré.

Chaves mecânicas e pedal

chave crunch/clean - uma chave de um polo por duas posições (pode ser Toggle, HH, ou push-buton) liga ou desliga o led, na posição crunch o led fica ligado e acende conforme o sinal no retificador. Na posição clean o led fica constantemente desligado podendo apenas ser ligado por um pedal externo colocado no jack destinado a esse pedal.

chave liga trêmolo/boost e pedal - outra chave igual liga e desliga a chave eletrônica feita com o fet. Na posição “boost” (ou “fat” ou simplesmente “ganho”) o ganho aumenta como explicado no post anterior, ao mesmo tempo R35 que está na base do transistor de trêmolo fica sem ação pois é desligado do circuito ficando conectado apenas no jack destinado ao pedal.
  Não havendo um pedal conectado, o trêmolo sempre será acionado pelo potênciometro de velocidade.

  Na posição “pedal” o ganho sempre será acionado pelo pedal e sempre que o pedal for acionado para se ter pouco ganho o trêmolo nunca funcionará (estará sempre desligado), porque R35 sempre deligará o transitor de trêmolo pois sempre estará no terra ou no -B. Assim se o potenciômetro de trêmolo estiver ajustado em alguma posição para alguma velocidade, ao se acionar o pedal para maior ganho o trêmolo também passa a funcionar. Para deixa-lo desligado é só deixar o potênciometro fechado.

  Fiz dessa maneira porque o efeito trêmolo só aparece legal com alto volume (e assim com maior ganho), dessa maneira é possivel usar um jack stereo simples (sem chaves) com um fio stereo duas chaves DPDT num pedal controlando 3 coisas ao mesmo tempo dependendo da posição em que se deixa as chaves no painel.

  Os LDRs tem que ser de baixa resistência quando iluminados, os de mais baixa resistência são os 5506 na nomeclatura chinesa (vão de mais ou menos 1K a uns 500K). Os 5516 também funcionam mas enquanto maior o numero (5529, 55xx) terão resistência muito alta no escuro e não tão baixa quando iluminados. Não são componentes que têm muito precisão de valor (a margem de erro é bem alta).


Monday, August 6, 2018

Um valvulado mais simples


Post 52 - Guibson Falcon - chave com fet e chineses FDP

  Chave com o transistor Fet


   O chaveamente ali coloca ou tira o capacitor C11 no circuito, o capacitor em paralelo com o R de polarização da valvula (R4 = 1K5) aumenta ou diminui o ganho do estágio (explicado no post 27).

  Se R21 for aterrado (pela chave ‘boost” no painel), o dreno e o supridouro de Q1 ficam praticamente interligados (com baixa resistência) aterrando o capacitor C11 e assim tendo alto ganho.
  Ao se desaterrar R21 o gate irá receber uma tensão negativa vinda do -B fazendo o dreno e supridouro terem muito alta resistência entre si tirando a ação do capacitor C11.

  A razão da chave ser eletrônica (e não uma chave mecânica direta) é para não haver ruido click na chave. C12 amortece dando um pequeno atraso no tempo de troca entre a acão de se ter terra ou -B na entrada do transistor. R19 polariza o supridouro e R20 e R21 a porta gate. Qualquer fet funciona nesta função mas tem uns fets que não valem nada (ex.. os mpf102, mpf112), variam pouco a resistência interna entre alta e baixa.

  Esta parte do circuito eu copiei exatamente do amplificador Fender Blues Jr, no Blues Jr a chave no painel leva o nome de “Fat”, é tipo uma chave destinada a solo mas não dá tanto ganho assim não (precisaria do circuito repetido no pino 8 na outra metade da válvula). As conexões das chaves mecânicas será explicado num outro post.

  Capacitores eletrolíticos orientais filhos da puta

  O valor de C11 geralmente é de 22uF, a razão de eu usar um valor mais alto é porque os novos capacitores de fabricação oriental (China e demais países de olho puxado) têm todos 10% a 12% menos do valor escrito na peça.
 
  Com exeção dos Panasonics, são eles chichon, nichon, nichicon, rubicon (rubicons até que eram bons) e outros cons, chong, ong e etc (tudo pra confundir) e ai voce não sabe quem é quem.

  O Chinês sabe que 10% a 20% de erro de medida é aceitavel para capacitores eletrolíticos porque antigamente as máquinas não conseguiam produzir com valor exato. Hoje as máquinas têm muita precisão e fabricam com valores exatos, assim eles produzem com um valor exato um pouquinho maior que 10% de erro pra menos no valor do componente, e assim economizam material na fabricação sem ninguem poder reclamar (tá dentro da margem de erro mas o erro é sempre pra menos, uns filhos da puta).

  Podem medir, todos têm 10% a 12% de erro pra menos, essa regra também vale para a tensão marcada no capacitor, assim é melhor colocar C11 de 33uF ou mesmo 47uF (por 16V ali é suficiente).     



Thursday, August 2, 2018

Um valvulado mais simples


Post 51 - Guibson Falcon - pré funcionamento

Com partes do esquema separadamente.


Entradas - pra quem tem dificuldade de visualizar

   Nos estilo dos amplificadores dos anos 60 e 70, duas entradas uma de baixa impedância e outra de alta impedância.

  Originariamente entradas de válvulas têm alta impedância, assim baixar a impedância na realidade é colocar um resistor de baixo valor entre a entrada e o terra fazendo uma combinação em paralelo de um resistor de baixo valor com um “resistor” (que é a impedância de entrada) de alto valor. O resultado de um paralelo é sempre um valor mais baixo que o valor do resistor de menor valor (nem precisava dizer, é a fórmula). De outra forma de ver, é ter um resistor de baixo valor jogando parte do sinal para o terra.

  Os dois jacks são mono chaveados (faceis de achar pra comprar) que mantem as entradas aterradas quando não tem nada plugado.

  Quando se põe um plug na entrada de baixa impedância a chave desse jack abre e o sinal entra por R1, mas a chave do jack da entrada de alta impedância está fechada colocando R2 no terra ao inves de R3. A impedância então passa a ser praticamente o valor de R2 que é um valor baixo.

  Quando se pluga na entrada de alta impedância a chave desse jack abre. A impedância é então praticamente o valor de R3 (1M), a chave da entrada de baixa impedância no entanto está fechada colocando R1 (47K) e R2 (47K) em paralelo sendo o resultado a metade do valor o que faz deixar passar mais sinal ainda para a válvula tendo maior volume.

  Penso que a razão dessas duas entradas é porque antigamente usava-se plugar os Orgãos eletronicos (ainda não haviam sintetizadores) nos amplificadores de guitarra e estes tinham muito volume que era preciso ser reduzido com uma entrada de baixa impedância.

  Se forem plugadas duas guitarras ao mesmo tempo (antigamente as bandas pobres fazia-se isto), as duas entradas permanecem em alta impedância e ganha em volume a guitarra que tiver mais ganho (as duas guitarras entram em paralelo).

  Os valores para R1 e R2 geralmente são de 68K (é o padrão), Sendo de valores menores fará a entrada de baixa impedância ainda mais baixa matando mais ainda o volume de sinal nesta entrada e tendo o volume na entrada de alta ainda mais alto pois passará o sinal com maior nivel devido a um valor menor do paralelo entre R1 e R2.
  R1 e R2 são apenas stoppers impedindo que se injete o sinal diretamente na válvula, 18K ou 22K poderiam ser os menores valores tendo duas entradas, tendo uma entrada só uns 10K poderia ser o menor valor.

  R3 o valor padrão é 1M o que baixa um pouco a entrada da válvula que na realidade é ainda mais alta, sem ele a entrada fica muito sensivel tendendo a captar mais ruido.

  Filtro mid-scoop e controle de médios

  É o mesmo do pré do amplificador com duas 6L6 (posts de 2017), só que ao invés da chave brilho/médios neste será um potenciômetro de médio. Um filtro em ” T ” corta o excesso de médios dosado de certa forma pelo potenciômetro e C2, enquanto C3 deixa passar os agudíssimos (já expliquei o cálculo prático no post 28). R7 é de 82K mas pode diminuir um pouco (até uns 56K) para deixar passar mais nivel de sinal sem muita perda na ação do filtro que está na frente.
  R39 separa o sinal que é enviado para o reverber do sinal que retorna do reverber, 39K já está no mínimo pra não haver mistura.

  Os pontos marcados com letra minúscula “a” e “b” são pontos de conexão para uma plaquinha separada onde estarão os potenciômetros e alguns componentes que não estão na placa principal, a ideia é reduzir a quantidade de fios da placa até os potenciômetros.

continua. . .