Tuesday, September 29, 2020

Post 84 - voltando ao post 41 - continuação

   Depois de cortado as laterais, a parte de baixo e a parte de cima, a colagem é simples com cola de madeira (cola branca) e dois pequenos pregos de cada lado. Uso essa ferramenta de apertar e manter as partes juntas (não sei o nome da ferramenta nem em Ingles, nem em Português), tem elas de varios comprimentos e tamanhos.

   Para tapar burados e imperfeições da madeira uso massa plástica automotiva que nada mais é que resina liquida para fibra de vidro misturada com fibra de vidro moida em pó e cimento (por isso a cor cinza da massa plástica), o endurecedor é chamado de MEK, metil. . . qualquer coisa (eu sabia os nomes cientificos do plástico e do líquido mas não lembro mais). Depois vai lixando como se fosse pintar carro só que com lixa seca (em pinturas de carro é com lixa d’agua e agua).


    A tampa da frente geralmente prefiro o alto falante parafusado por dentro (mas pode ser por fora encaixando pela frente), a madeira não precisa se grossa e é melhor que seja bem rígida para não amortecer pois a tampa da frente é como se fosse uma extensão do cone do alto falante. Assim uso folha de eucatex fino (mais grosso se a caixa for grande).

    Uso esses frisos de aluminio que aqui consigo de graça de janelas que são trocadas nos apartamentos dos predios do conjunto onde moro. Vai pro lixo, eu pego e guardo.

    Depois de tudo colado e reforçado onde necessita de reforço é hora de dar uma pintura inicial só pra tingir a madeira. 

    Nota-se que há um pequeno aumento da litragem da caixa pois as paredes são finas com os reforços engrossando as bordas e cantos.

     A tinta é qualquer uma só para colorir a madeira (acho que até tinta de tingir roupa em agua quente serve), eu tenho uma lata de tinta preta de serigrafia, é uma tinta grossa e um preto forte pra kacete, enraleci um pouco (bem pouco) com bastante aguaraz e tingi a madeira com ela.

   Fica dificil explicar todos os detalhes das medições pois vou estimando observando o que vou usar e como vou usar. Não gosto de deixar parafusos expostos, tento esconde-los o mais que posso de modo a ficarem internos na caixa (os frizos de aluminio os parafusos não irão aparecer).

    Depois continuo, tenho andado sem tempo e muito cançado.

Tuesday, August 25, 2020

Post 83 - voltando ao post 41

    Vou dar um brake em transistores por enquanto pois decidi terminar o amplificador valvulado que comecei lá no post 41 (e varios posts a frente daquele). Apesar de ainda não ter feito a placa definitiva e outros detalhes já dá para construir uma caixa acústica para ele pois será em formato de combo.

    Vou mostrar aqui mais ou menos a maneira que eu faço para construir caixas. No passado eu já construi caixas de tudo quanto é jeito (desde 1973), apesar que minha primeira foi em 1969 de papelão cartão vermelho plastificada transparente grosso com detalhes pretos e as paredes internas de isopor, ficou bonita pra kacete mas o som ficou uma bosta (então essa não conta).

    Tipo de madeira

    Para um cubo de guitarra a maioria usa madeira aglomerada (tabas ou chapas prensadas de serragem com com cola) de 15mm ou 18mm, os fabricantes usam essas por serem mais baratas mas descobri com o tempo que elas não são boas (pesadas e amortecem demais a sonoridade).

   Uma caixa para amplificador de guitarra pode usar madeira mais fina e de preferência mais rígida (não muito macia) contudo as mais rígidas têm tendência a serem mais pesadas e peso é uma coisa que eu quero evitar.

   Uma caixa para contrabaixo as frequências baixas necessitam de mais amortecimento senão o som soa como uma sexta corda de guitarra frouxa soando como contrabaixo, mas uma para guitarra não e é justamente ao contrário, precisam de mais reflexão de som nas paredes internas pois ajuda as frequências médias e agudas.

   Desse modo eu uso uma chapa de compesado mais fina (6mm) colada com uma de compensado mais grosso (12mm) em partes internas onde necessitam reforço. A qualidade do compensado não dá muita diferença no som e assim pode ser um feito de madeira mais barata (se for cobrir com napa ou courvin por exemplo) ou mais leve ou mais pesada etc.

    Acabamento externo

   Para instrumentos geralmente usa-se a napa ou courvin (não sei bem a diferença nos nomes e nem os vendedores sabem) rígida que não estica muito.       No passado na minha cidade (Belo Horizonte) as lojas de sapateiro tinham essas napas aos montes (pretas, vermelhas, mais finas mais grossas) que alguns vendedores chamavam de “back”, eram aquelas cheia de bolinhas enrrugadas exatamente igual a dos amplificadores importados da época (nunca foram muito baratas e eram made in Brazil) mas em anos mais recentes ficou bem mais dificil de encontrar. Cola de sapateiro não tinha frescura pra vender (podia compra até pra cheirar).

    Mas para esse amplificador eu decedi tentar fazer diferente, vou pintar com tinta preta martelada pois onde moro (USA) a napa é cara pra kacete pois é vendida na internet para o intuito de cobrir amplificadores de guitarra com vendedores específico de instrumentos. Mesmo outros materias como o feltro (usado em Rolands) é danado de caro.

   A minha ideia é tentar imitar as caixas acústicas de som que tem sido feitas de plástico ultimamente, o plástico é muito bom para caixas (não era muito usado por ser caro mas novas ligas parecem ter barateado), me lembro do meu som Fisher (Ingles dos anos 60) que tinha caixinhas de plástico e um som excepcional. Imitar pelo menos no acabamento externo.

    Tamanho da caixa

    Por causa do tamanho do chassi que foi aproveitado de chapa de um computador desktop optei por usar um alto falante de 10 polegadas que vou retirar de um cubo Behringer que a caixa é uma merda de construção (e tem dois falantes). O alto falante também não é lá grande coisa, um Jensen italiano de 35W mas vou usar esse mesmo.

   O tamanho do chassi coincide mais ou menos com essa caixa para teclados da Roland KC-60 que tenho (que tem um falante muito melhor) e vou me basear nas medidas dela (praticamente a mesma medida). Ela tem os botões atraz e em cima como a maioria dos cubos, mas o meu chassi os botões são na frente, mas o espaço interno é o mesmo.

 

  Na foto as medidas do cubo da Roland, a parte trazeira o angulo é de 90° graus, pretendo curvar um pouquinho.

 Continua . . .

Tuesday, July 28, 2020

Post 82 - Desenhando um pré com transistores - e os capacitores de acoplamento?


    Bom, até que dá pra chutar os valores sem cálculo nenhum e pra quem já esta prático já olha o esquema e já tem-se a ideia dos valores dos capacitores a serem usados. Mais facil ainda pra um amplificador de guitarra porque a frequência mais baixa gerada por uma guitarra é bem mais alta que a frequência a requerida na entrada para um amplificador Hi-fi.
 
  Sem chutar tanto e nem ser acadêmico demais pode-se determinar os valores com poucos cálculos.

  Os capacitores de acoplamento barram a tensão contínua entre os estágios do circuitos deixando passar somente o sinal alternado, normalmente formam com a impedância de entrada um filtro passa altas de 1ª ordem. Por ser de 1ª ordem o filtro não é muito acentuado, ou seja, a frequência escolhida de corte do filtro deixa passar ainda com bom volume as frequências abaixo (um filtro de 3ª ordem por exemplo cortaria pra valer).

  A corda mais grave da guitarra gera 82hz, assim fixando a frequência de corte em 70hz por exemplo vai passar tranquilo os 82hz e ainda vai ajudar a amenizar qualquer ruido por exemplo de 60hz da rede. Para um contrabaixo poderia-se usar uns 40hz e para amplificador de música uns 20hz (hi-fi menor ainda) para o cálculo. Enquanto mais baixa a frequência escolhida maior o valor da capacitância o capacitor deve ter.

  A fórmula usada (admitindo -3 decibeis de queda de volume na frequência escolhida para o corte) é:

  F = 1 / (2ϖ x R x C) como se quer a capacitância então fica C = 1 / (2ϖ x R x F)

  R será a impedância ( Z ) aproximada do circuito.

  Impedância de entrada

  Usando o desenho do circuito do tópico anterior como exemplo.
 
  Inicialmente determina-se aproximadamente o melhor possivel a impedância de entrada do circuito pré (ou entradas dos demais estágios de um mesmo circuito), o que vai variar de estágio pra estágio. O valor para a impedância é o maior responsavel por uma melhor exatidão no cálculo mas calcula-la exatamente nem sempre é facil.

  Geralmente considera-se a impedância de entrada como sendo simplesmente a soma do resistor stopper R1 com o resistor entre a base e o terra (Rb + ReQ2 neste circuito). Despreza-se a impedância refletida da resistência interna da base do transistor somado com o resistor de emissor.

  De forma simplificada essa impedância refletida pode ser considerada como sendo o beta (Hfe) do transistor multiplicado pelo valor da resistência de emissor. Essa impedância refletida só entrará no cálculo se o valor do resistor de emissor for baixo como neste circuito. (um resistor de 10K por exemplo elevaria a impedância nas alturas e aí passaria a não influenciar no restante do cálculo).

  Considerando um Beta para o transistor de 250 (qualquer BC549 dá mais de 300).

  Zrefletido = 250 x 560Ω = 140000Ω (140K)

  Assim entre a base e o terra tem-se o paralelo entre Zrefletido e Rb somado com ReQ2

  A impedância de entrada será Zin = R1 + (140K // 470K + 1K8)

  1K8 é um valor tão baixo em relação a 470K que pode-se desconsidera-lo para simplificar.

  Calculando o paralelo de resistores (140000 x 470000) / 140000 + 470000) = 107868Ω ≈ 108K

  Estimando R1 = 68K tem-se Zin = 68000 + 108000 = 176000 = 176K

  C = 1 / (2ϖ x 176K x 70hz) = 1 / 6,28 x 176000 x 70) ≈ 0,000 000 013

  Farady  miliF  uF   nF
           0, 000 000 013 ou seja 13nF = .013 poderia ser usado um de .022uF

  Pode-se observar que se considerar uma frequência de corte de 35hz ( metade dos 70hz) a capacitância dobraria (seria de .026uF) e a queda de volume passaria de -3dB para 0db (sem queda), assim .022 seria mais que suficiente.

  Na saida do circuito a impedância calculada ou estimada após o capacitor de acoplamento da saida (tudo que tiver depois dele) deve ser somada com o resistor de coletor (RcQ2 = 8k2) porque o sinal está sendo retirado do coletor (RcQ2 entra no cálculo).

  Geralmente a impedância é sempre mais baixa na saida e é de praxe ter o valor do capacitor de saida umas 10 vezes (pelo menos) maior que o capacitor usado na entrada (aqui seria por exemplo no minimo 22nF ou seja .22uF).


Tuesday, June 23, 2020

Post 81 - Desenhando um pré com transistores - Cálculo diferente - parte 2


Exemplo de cálculo 

    Inicialmente pode-se estimar uma tensão de entrada como referência apenas, pois um resistor de armortização R1 (stopper) é obrigatóriamente usado na entrada do circuito. Este resistor stopper dosa a tensão de sinal para cada tipo de aparelho que será usado na entrada. 
    Exemplos aproximados: capsula magnética de toca disco 2mV (valor pequeno para R1), guitarra 30mV (valor medio para R1) entrada de linha 350mV (valor maior para R1).

    O valor do resistor R1 deverá ser calculado depois de forma que reduza a tensão para a tensão estimada (ou próxima dela). R1 aqui inicialmente no desenho será considerado como zero ôhms, ou seja, R1 será desprezado.

    Estimando 10mV para um pré de guitarra. Então qualquer que seja a tensão gerada nos captadores o Rstopper será calculado e forma a reduzir para em torno dos 10mV e assim não saturar a saida no final.

    A potência produzida nos captadores (ou cabeças de tape gravadores, captadores de toca disco, etc) é sempre pequena e desconhecida então estima-se uma corrente bem acima para se ter folga de potência (P = VI), supondo uns 300uA (muito mais que suficiente).

    A amplificação em Q1 deverá ser muito alta então a corrente no coletor de Q1 poderá ser os 300uA (microA) propostos multiplicado pelo beta (hfe ≈ 200) do transistor apenas para efeito de cálculo.
  IRcQ1 = 0,0000003A x 200 = 0,00006A ( 60mA)

  Cálculo em Q2

    Aqui já se poderia calcular a polarização de Q1 independente de Q2 (e depois calcular Q2 independente) mas será feito de traz pra frente calculando Q2 primeiro (igual é feito em amplificadores de potência).

    Tem-se então os 60mA no coletor de Q1 e automaticamente na base de Q2. Como em Q2 a amplificação será pequena (um ganho pequeno) não se usa o beta aqui. Apenas estima-se uma corrente para o coletor de Q2 bem maior (no mínimo uma 10 vezes mais), estimando por exemplos 15 vezes mais.

      IRcQ2 = 15 x 60mA = 900mA

  Propondo uma tensão DC da fonte de 12V, então como explicado no post73 e 77 tem-se:

      Tensão em Rc = 12V/2 + 0,7V + 0,7V = 7,4V

      RcQ2 = 7,4V / 0,0009A = 8222Ω ≈ 8K2

    Assim 8K2 será o valor escolhido para o coletor, a tensão DC final no coletor poderá variar um pouquinho dependendo do valor de Re escolhido para o ganho que se quer pela simples relação Rc/Re.

   Estimando que se quer um ganho de 5 vezes em Q2

  Rc/Re = 5 então Rc/5 = Re sendo Re = 8200 / 5 = 1640 = 1K6 ≈ 1K8 valor encontravel.

    Como o circuito é autopolarizavel, Rb poderá ter uma gama variavel de valores que não altera o funcionamento (precisa apenas ser maior no mínimo umas 3 ou 4 vezes que Rc). O valor poderá ser estimado depois do cálculo de Q1.

  Cálculo em Q1

    Tem-se o IRcQ1 de 60mA então o valor de Rc será:

     RcQ1 = 7,4V / 0,00006 = 123333 ≈ 120K

  O ganho neste primeiro estágio deve ser bem alto, estimando umas 100 vezes:

     Re = Rc/200 (de acordo com a tabela no post77), Re = 120000/200 = 600Ω (o valor comercial encontravel será 560Ω).

  Falta então encontrar um valor para Rb que satisfaça Q1 e Q2.
  O valor de Rc em Q1 é de 120K, se for feito o valor de Rb umas 50 a 100 vezes maior iria para a casa dos megaohms o que barraria muito a realimentação do sinal quando colocado no emissor de Q2. Tendo pouca realimentação negativa os 10mV estimados para o sinal de entrada deveria ser muito diminuido o ou circuito iria distorcer demais.

  Assim é melhor basear o valor de Rb referente ao Rc de Q2 sempre. Em Q2 tem-se Rc = 8K2 então fazendo Rb umas 50 vezes maior tem-se Rb = 8k2 x 50 = 410K
  410K é cerca de 3,5 vezes maior que RcQ1 e já satisfaz Q1 e Q2. O valor de 470K poderá ser usado.
  O valor de Rb não é crítico e pode ser outro dentro de um certo limite que satisfaça Q1 e Q2.

    No cálculo foi usado a tensão DC de alimentação como sendo 12V. Como o circuito é autopolarizavel mesmo que se troque o valor da tensão da fonte o circuito se mantem estavel com pouca alteração no valor do sinal amplificado na saida (aumenta pouca coisa se a tensão da fonte for maior).

   Em 12V foi usado 7,4V no cálculo dos resistores de coletor (Rc) de acordo com o explicado no post77, no circuito final no entanto ao se medir as tensões, em Q2 estará próximo desse valor, mas em Q1 o valor será bem mais baixo (em torno de 1,4V) o que não importa pois o circuito é autopolarizavel. Foi feito dois cálculos separados, um em Q1 e outro em Q2.

   Se o cálculo for feito da maneira digamos acadêmica correta fica bem mais complicado e dificil. Está é uma maneira práica.


Wednesday, May 27, 2020

Post 80 - Desenhando um pré com transistores - Cálculo diferente - parte 1


    O pré universal

  Eu já postei e falei sobre ele em alguns circuitos anteriores, com dois transistores em cascata se monta um pré universal, a topologia já é universalmente conhecida, já está pronta, falta então saber como se calcula os componentes ao redor de forma prática (isso ainda não mostrei anteriormente).

  Esta maneira de calcular que farei aqui com certeza não é o modo mais correto mas é uma maneira prática e bem mais facil por isso é ELETRÔNICA QUE A ESCOLA NÃO ENSINA. É assim que faço e dá certo.

  É calculado como se fosse dois circuitos em auto-polarização separados e depois ligados em cascata.

  Na topologia do pré universal o resistor de base passa a ser um só, somente para Q1 mas como se fosse também o resistor de base de Q2 (a realimentação continua negativa mesmo vindo do emissor que Q2).

     R3 que polariza o coletor de Q1 também polariza a base de Q2 (então deve satisfazer os dois transistores), mas Q2 também continua recebendo realimentação negativa pois a fase do sinal que vem do emissor de Q2 se inverte novamente em Q1 contrapondo a fase mais amplificada que sai do coletor de Q2 (a realimentação tem a amplitude de fase muito menor do que a amplitude que sai amplificada). Ambos os transistores ficam autopolarizados e recebendo realimentação.

 
  O ganho total será dado por: ganho Q1 x ganho Q2

  O primeiro transistor deverá ter um ganho bem maior que o segundo transistor (em torno de ganho 100 ou mais ou menos), Q2 será apenas um índice amplificador de que Q1 e deverá ter um ganho bem menor (menor que 20 vezes).

  Se o resistor de emissor em Q2 tiver um valor muito baixo (significando um maior ganho em Q2) isso reduzirá a injeção de realimentação negativa em Q1 pois parte do sinal morrerá no terra por isso o ganho em Q2 deve ser bem menor do que em Q1 (assim o resistor de emissor terá um valor mais alto).

  A corrente de cálculo no coletor de Q1 deve ser pequena e bem menor que a corrente de cálculo do coletor de Q2 (no coletor de Q2 pelo menos umas 10 vezes maior).

  Isto depende da tensão do sinal que for aplicada na entrada, enquanto maior o tensão do sinal estimada maior deverá ser a corrente para o coletor de Q2, se a corrente para Q2 for pouca coisa maior que a corrente em Q1 qualquer aumento da tensão de sinal na entrada fará a onda distorcer criando segunda harmônica (num pré para guitarra pode até ser está a intensão).

  Se o circuito fosse dois circuitos em autopolarização separados (com um capacitor no meio separando) cada resistor de cada base (resistor de realimentação local de cada um) teria seu valor entre 50 a 100 vezes maior que o valor encontrado de cada resistor de coletor (post77). Entretando este valor não é crítico e pode ser um valor bem menor se o valor encontrado para o resistor de coletor Rc for muito alto, o que acontece sempre no primeiro transistor pois a corrente estimada em Q1 será quase sempre muito baixa.

  Os dois resistores de base serão um só para a duas bases e deverá ter o seu valor mais próximo ao encontrado no cálculo para a base de Q2, como o valor não é crítico poderá ter seu valor modificado de modo a ajustar o circuito variando a injeção de realimentação negativa.

continua. . .

Tuesday, April 21, 2020

Post 79 - Desenhando um pré com transistores - Tom Baxandall


Controle de tonalidade

  O que é Baxandall

  Neste pré depois do potenciômetro de volume há um controle de tonalidade Baxandall (nome do inventor), até antes dessa invenção os controles de ton eram simples tonestacks passivos (como nos amplifcadores Fenders).

  Um controle de ton Baxandall é essencialmente um controle ativo onde um desenho semelhante a um tonestack recebe uma realimentação negativa controlando o ganho e assim tendo uma melhor eficiência e tendo uma acentuação ou atenuação das frequências mais suavemente. Alguns atribuem erroneamente Baxandall passivo para alguns circuitos que não tem a realimentação. C5, R6 e R7 fazem a realimentação na rede de tonalidade.

  O Baxandall original tinha apenas grave e agudo mas é possivel colocar também um controle de médios e este ser bem mais eficiente no reforço dos médios, o que é impossivel de se conseguir num tonestack passivo pois apenas se atenua.
  
  Outro exemple de pré dos anos 60

  Este é o desenho original do pré do famoso Baguinho da Giannini que apesar de ter sido lançado nos anos 70 ainda usava um circuito já antigo para a época porque o circuito a potência ainda era a acoplamento a transformador (típico do início dos anos 60).

  O circuito não é ruim mas o desenho no papel é péssimo, não tem data, não tem numeração de componentes nem detalhe nenhum. Eu ainda aprendiz nos anos 70 já desenhava melhor do que isso. Vejam que as escritas estão em Ingles mas escreveram “organ” com “M”.

  Pode-se ver que o primeiro estágio Q1 não precisa nem de cálculo o resistor de base 2M2 é 183 vezes maior que o resistor de coletor 12K e o ganho é 12K/150Ω = 80 então umas 60 e poucas vezes (tabelinha post 77).

  O segundo transistor escolheram a polarização em ponte e uma corrente um pouco maior no coletor (baixo valor de Rc = 2K2) e um ganho pequeno (Re = 1K).

  O resistor de 56Ω faz um terra virtual na polarização do emissor pois no emissor entra a realimentação negativa vindo da saida. O acoplamento a transformador no lugar de transistores excitadores geralmente se tem um bom ganho. Se os fios do push-pull do trafo forem soldados invertidos dá um ruido agudo constante enorme na saida pois a realimentação passa a ser positiva gerando oscilação.

  O controle de tonalidade não tem realimentação assim um dos lados fica aterrado onde teria a realimentação por isso ao se desenhar no papel fica com uma forma diferente do baxandall. Ainda pretendo fazer uns posts somente sobre controle de ton.


Wednesday, April 15, 2020

Post 78 - Desenhando um pré com transistores - antes porém


    Apenas com a configuração seguidor de emissor em autopolarização ou ponte é possivel desenhar um pré amplificador completo a moda antiga. Hoje ninguem desenha mais, todos usam amplificadores operacionais porque o cálculo é muito mais facil (como o pré de guitarra que desenhei no post 23), no entanto especificamente para guitarra um pré amplificador feito com transistores pode ter ainda algumas vantagens sobre os operacionais.
  
  Capacitores - esses ineficientes necessários

  Ao se desenhar, imaginar e bolar qualquer circuito deve-se ter em mente que quanto menos possivel se usar capacitores no circuito é melhor, principalmente os eletrolíticos. Capacitores causam perdas em geral, os eletrolíticos tendem a perderem a capacidade com o tempo, aqui não é o momento agora de falar sobre cada um deles.

  Colocando 2 transistores em serie amplificando um sinal, o primeiro transistor logicamente pegaria o sinal original e multiplicaria pelo número de vezes que ajustassemos o seu ganho. A corrente utilizada no cálculo deverá ser bem menor que a corrente utilizada no cálculo da polarização do segundo transistor.

  O segundo transistor ampliaria o sinal recebido múltiplicando o seu ganho pelo ganho obtido anteriormente no primeiro transistor. Já a corrente no cálculo da polarização do segundo transistor obrigatoriamente deve ser maior pois o segundo já recebe uma tensão maior. Assim a potência vai aumentando a medida que se vai cascateando o número de transistores. Essa é a ideia, logicamente com uma limitação no número de transistores (ou o circuito pode se tornar um oscilador).
    Para separar a polarização DC de cada transistor é obrigatorio o uso de um capacitor, mas no caso desse acoplamento direto a perda no capacitor ainda é maior porque o capacitor ao passar a carga pra frente nunca se descarrega completamente durante as inversões da fase do sinal. Nos casos onde há por exemplo um potenciômetro de volume entre os dois estágios, este estará entre o terra e o sinal melhorando a descarga do capacitor (necessitaria um capacitor a mais).

  Desse modo a melhor ideia é não haver o acoplamento a capacitor a medida do possivel (como no pré amplificador universal).

  Exemplo de um pré dos anos 60

  Este é desenho original do pré amplificador do circuito TA16 que postei o circuito do amplificador no post64.
  Como pode se ver o projetista optou por polarização em ponte e calculou uma polarização para Q1 e simplesmente repetiu para Q2, não está de todo errado mas também não está de todo correto. Se fizer a conta I= V/R tem-se em torno de 1mA ou pouco mais em cima de Rc nos dois casos.

  Os capacitores C1, C2, C3 e C5 têm todos o mesmo valor ficando C1 por exemplo com um valor exageradamente alto.

  Tem que se levar em conta que nos anos 60 cálculos de amplificadores ainda era muito segredo e não estava tão difundido e automático como agora, ainda não se sabia muita coisa e tudo era feito de modo bem acadêmico.

  As placas de circuito não vinham impresso os valores ou numeração de componentes, o montador olhava uma placa pronta e ia montando as outras, desse modo simplificação de montagem era essencial, valores iguais de componentes mesmo que no cálculo desse valores diferentes era um fato consideravel para simplificar, desde que não comprometesse o funcionamento do circuito.

  Se recalcularmos esse circuito com mais critério (mesmo de forma prática) muitos dos valores poderiam estar diferentes.

  Apesar da simplicidade do circuito era um amplificador com dois canais iguais (um o sinal ia também para o reverberador e trêmolo) ou outro era seco. Cada pré com dois jacks de entrada (de boa qualidade) que é um componente mecânico caro, amplificadores sofisticados de hoje tem apenas um.

  Ainda vinha com mais um pré destinado a toca disco e microfone (nada de economia porca como os aparelhos de hoje).

  continua. . .