Friday, January 29, 2021

Post 88 - Chave eletrônica estilo Boss

     Aproveitando o desenho da chave do esquema do post anterior vou esmiuçar o entendimento de como funciona esta chave. Como disse anteriormente existe explicações do funcionamento em sites em Ingles, mas todas deixam a desejar nos detalhes, a explicação melhorzinha está no site da ElectroSmash mais precisamente na explicação do funcionamento do pedal TubeScreamer da Ibanez.

    Quando surgiu

    Até os meados dos anos de 1970 quando apareceram os pedais da Boss todos os pedais eram True-By-Pass, ou seja, usavam chaves mecânicas.

    Essas chaves eram um problema para os fabricantes de pedais brasileiros que na época eram apenas a Sound Malagoli e Giannini. Ambas se viravam para fazer uma chave que fizesse o trabalho pois eram simples chaves HH (dois polos e duas posições) mas de forma que fosse acionada pelo pé e invertesse os lados das conexões mas com um único movimento de um lado só (chaves HH ou posiciona para um lado ou para o outro).

   A Sound fabricava um pedal distorção e wha-wha e usava duas chaves bizarras que acho que foram inventada por eles e a Giannini até então só tinha um pedal de distorção com uma chave mecânica completamente adaptada, ambas arcaicas e davam defeito demais. Já os pedais importados tinham a chave americana igual a que é comum hoje. Na época importações eram proibidas.

   Com o aparecimento da Boss e Ibanez com pedais menores e com chaves eletrônicas todos os outros pedais começaram a ficar obsoletos e grandes fabricantes americanos foram perdendo espaço e sumindo, os japoneses conseguiram quebrar a EletroHarmonix e a MXR que eram as grandes da época. Até os dias atuais quando se chegou a conclusão que as chaves eletrônicas não são lá essa coisa toda. 

    Quando eu abri o meu primeiro pedal da boss (um compressor CS2) eu copiei o circuito e foi dificil entender o funcionamento da chave eletrônica a princípio, meu conhecimento na época ainda era limitado. Os resistores que correspondem a C14 e R26 assim como C15 e R27 neste esquema eram colados e cobertos com uma especie de pinche preto formando uma peça só e sem marcação ou número algum. Eu so fui descobrir que eram simples resistores e capacitores quando comprei um Tube-screamer da Ibanes e copiei o circuito (Era uma dificuldade conseguir um pedal importado). Então comecei entender que aquilo era uma especie de oscilador biestavel. Mais a frente explicarei o porquê que eu acho que boss juntou essa duas peças numa peça só.

   O pedal em si ainda era bem artezanal em algumas partes, a placa de circuito impresso parecia ter sido desenhada a mão e feita em silk-screen. O pedal era pesado como fosse feito de ferro e não de aluminio como os hoje.

 

  Como funciona a chave

     O coração do circuito que faz a mudança de posição da chave (liga-desliga) é um circuito biestavel, como num oscilador biestavel mas sem o circuito oscilador propriamente dito, a “oscilação” é feita manualmente e neste caso chamada apenas de disparo (a cada pulso de disparo muda o lado do biestavel), também pode ser chamado de circuito Flip-Flop analógico.


   Os dois transistores estão polarizados exatamente iguais, quando se energiza o circuito um transistor vai pro corte e outro satura, quem satura e quem entra em corte depende do beta do transistor e da desigulade entre o conjunto de componentes formado por C14 e R16 e C15 e R27. O lado que tiver o capacitor com um valor ligeiramente maior fará o transitor desse lado entrar em saturação. Em saturação a tensão no coletor do transistor estará próxima de 0V (uns 0,3V). No coletor do transistor em corte estará próximo da tensão da fonte.

  Os capacitores C14 e C15 têm a função de acelerar o processo de subida da tensão (acelerar a subida do pico de 0V para próximo da tensão da fonte). Se não houver os capacitores a subida será mais lenta e nesse caso o transistor que tivesse maior ganho beta é que entraria em saturação primeiro.

  Para a chave eletrônica onde irá passar ou barrar o sinal usa-se um transistor Fet conectado em cada coletor de cada transistor. No transistor que estiver saturado ficará o Fet que deixará passar o sinal limpo.

  Eu suponho que a ideia da boss fosse ter o conjunto capacitor/resistor com o capacitor de maior valor exatamente no transistor saturado, por isso a razão das duas peças previamente separadas e coladas antes da montagem. Assim sempre que energizasse o pedal (ou pedais) estes já entrariam com o sinal sem efeito. No entanto com o passar dos tempos a Boss parece ter desistido dessa ideia pois hoje quando se liga energia num conjunto de pedais uns aparecem com efeito ligado e outros em sinal clean (nunca se sabe qual). O resistor e o capacitor passaram a vir separados e não mais colados e cobertos com pinche como antes.

   O transistor que estiver saturado (Q7) tem a sua base com tensão positiva vinda do coletor do transistor que está em corte (Q8) atraves de C15/R27 (isto supondo que C15 seja pouco maior que C14).

   Estando saturado estará atuando como uma chave fechada entre coletor e emissor, a tensão no seu coletor então é 0V (perto disso), isso faz com que Q8 se mantenha no corte (chave aberta) pois joga 0V na sua base atraves de C14/R26. No coletor do transistor Q8 estará o Fet que deixara passar ou barrará o sinal modificado pelo circuito de efeito.

  Essa condição se mantem estavel até que seja modificado por um circuito externo de disparo.

Continua. . .

Wednesday, December 30, 2020

Post 87 - Distorcedor com dobrador de oitava - continuação

Aqui o circuito completo em estilo Pedal Boss com chave eletrônica. 


   Como o circuito tem alto ganho na saida são necessários três transistores Fet como chaves, um para deixar passar apenas o sinal original limpo e outros dois para o efeito, um na entrada e outro na saida do efeito. Desse modo não vaza sinal da saida do efeito em cima do sinal limpo pois o sinal de entrada no efeito também é cortado. Quando o ganho na saida é muito alto um Fet sozinho na saida nem sempre consegue barrar todo o sinal e então vaza, por isso se corta o sinal na entrada também.  

   No próximo post vou explicar o funcionamento da chave eletrônica separadamente nos detalhes. Existe a explicação de funcionamento dessa chave em um site em Ingles sobre funcionamento de varios pedais da Boss contudo a explicação lá é muito teórica mas deixa a desejar pois não esmiuça alguns detalhes importantes.

   Se fosse montado numa caixinha metálica da Boss (ou qualquer outra) seria 3 potênciometros: 

   Um de volume do sinal limpo (se a intenção fosse usar o pedal como booster limpo ou mixado com um pouco de oitava).

   Um dosando a quantidade de distorção em cima do sinal limpo.

   E outro de volume geral. O volume total pode ser modificado para maior volume ou menor volume pela relação entre  R6 / R5 (como está, está para um ganho de pouco mais 10 vezes do volume de entrada sem o efeito).

   Não tenho muito tempo disponivel, se tivesse desenharia o circuito impresso para ser montado exatamente dentro de uma caixinha metálica da boss com 3 furos de potenciômetros (a caixa dos distorcedores laranjados da boss, este circuito ganha grande deles). Talves o faça depois que me aposentar do trabalho e ter tempo de sobra.

    O desenho completo aqui mostrado é apenas demonstrativo, não montei ele completo com a chave na placa de testes, mas tenho certeza de que como está de cara já funciona.

Sunday, November 29, 2020

Post 86 - Distorcedor com dobrador de oitava

   Um pedal distorcedor com dobrador de oitava acima não é nenhuma novidade, já nos anos 70 um circuito foi lançado na revista Nova Eletrônica da época desenhado pelo irmão do guitarrista da banda Mutantes que era técnico de eletrônica e engenheiro de som na época. 

   Eu montei na época e não achei grandes coisa, dizia que era possivel conseguir a oitava da nota limpa (sem distorcer) o que é impossivel neste tipo de circuito. Tinha outras desvantagens.

   O circuito mostrado aqui é muito mais eficiente, o coração do circuito (onde ocorre a dobra) foi apresentado em um forum brasileiro por alguem bem experiente em eletrônica. Colocou-se variações de desenho semelhantes e eu escolhi esta por achar a melhor opção.










    


   O primeiro amplifcador operacional inversor amplifica as duas fases do sinal separadamente cada fase com seu diodo para obter um sinal retificado e misturado no segundo operacional. 

   Neste segundo operacional o sinal entra nas duas entradas (positiva e negativa), há inversão em uma e na outra entrada não, ficando as fases todas do mesmo lado positivo. Como num retificador há a dobra da frequência. 

  Uma senoidal aplicada e vista num osciloscópio aparecerá como dobro da frequência sem a fundamental mas no circuito real a fundamental está presente e com um sinal musical será um distorcedor pois dois diodos nesta posição é o típico circuito de distorção simétrica. O resultado será o sinal da guitarra distorcido com um forte reforço de segunda harmônica.

  Neste desenho escolhido os valores dos componentes já estão equilibrados de forma a manter a duas fases da onda no mesmo nivel. O único resistor que pode ser variado é o de 4K7 de forma aumentar ou diminuir o ganho de sinal no primeiro operacional (menor valor menor ganho). Aqui está escolhido para um ganho de aproximadamente duas vezes.

  A outra vantagem é que pode ser usado diodos comuns de silicio por causa da posição deles, em outro formato de circuito obrigaria usar diodos de germânio. 

Continua. . .

Wednesday, October 28, 2020

Post 85- voltando ao post 41 - Final

     Depois de tingido a madeira de preto ainda não é hora da pintura final, primeiro a madeira vai levar uma ou duas mãos de rezina líquida para fibra de vidro (citado anteriormente). Misturo em pequenas porções de mais ou menos duas colheres de chá de rezina com umas duas gotas do líquido endurecedor.

    Inicialmene deixo o líquido e o endurecedor na geladeira (mantenho sempre guardado na geladeira) pois depois de misturado perde a consistência líquida muito rapidamente se tornando meio pastosa e dificil de escorrer. Na temperatura ambiente a reação é mais rápida ainda e não dá muito tempo de trabalhar.

  Primeiramente passo nas bordas da caixa com a ajuda de um cartão magnético velho (esses de banco) e vou espalhando e alizando com o cartão sem repetir muito onde já foi passado (não dá tempo), enquanto não adquire a forma pastosa (que acontece muito rápido) espalha-se bem.

     Depois preparo mais uma porção e passo em umas das laterais, as laterais são mais faceis de espalhar, derrama as duas colheradas de uma vez de espalha (como se tivesse puxando agua com um rodo). As duas laterais e o lado de cima da pra ser feito no mesmo dia (ou em dois dias), mas para completar o lado de baixo tem que esperar até que o lado de cima seque completamente para poder virar de cabeça pra baixo. Na realidade com o auxilio de uma tábua extra presa em algum lugar pendurei ele de cabeça pra baixo apoidado na tábua por dentro para que a parte de cima já pronta e ainda não seca não se apoiasse no chão.

   O processo todo é trabalhoso e leva dias para secar completamente (fica melando).

     Depois de uma semana já deu para lixar e alisar algum lugar que não ficou uniforme. Como é madeira e não pode molhar, lixei com lixa seca comum mais ou menos fina, mas em alguma parte usei lixa d’agua molhando um pouco e secando logo a seguir com um pano.

  A pintura final

  A ideia dessa plastificação todo é celar completamente a madeira e dar mais resistência mas dá um trabalho do cão.

    Depois de seco (mas ainda melando um pouquinho) dei um Spray preto comum na caixa toda. Depois de seco dei um spray de textura martelada mas na realidade não ficou tão texturizado como eu esperava mas ficou bom.

 A tela da frente

     Até que acha pra comprar a chapa de metal com furos pra sair o som do alto falante, mas é uma folha de todo tamanho, cara pra kacete e os furos não são quadradinhos bonitinhos como a tela original da caixa da Roland que copiei. A da Roland é feita exata para a caixa deles e não se vende em loja de metais.

    Tem de pano, tem de plástico, mas nada resistente como o metal. Para não encarecer muito decidi fazer uma de lâmina de eucatec fina, usei essas que já vem com furos pequenos usadas como isolante acústico em estudio e também usadas pra pendurar ferramentas (tem uns ganchos próprios que enfia nos buracos para pendurar ferramentas). Foi a primeira vez que fiz assim.

    Com uma broca de 3/4 alarguei os buracos e ficou dessa maneira. Talvez eu ainda coloque um pano ou tela plástica junto por traz ou pela frente. Ainda falta também a tampa trazeira mas essa é simples, não será totalmente fechada e o tamanho da abertura vou ter que experimentar conforme a sonoridade obtida no final.

  Decidi colocar um painel de acrílico (eu ia deixar no metal do chassi), ainda não terminei e está inclusive com o plástico protetor pra não arranhar. Tenho varios retalhos de chapas de acrílico, que aqui o acrílico é muito usado (no Brasil é caro pra kacete). Como eu corto eles e faço os letreiros dá um certo trabalho e é uma outra história. O amplificador ainda não está totalmente terminado mas por enquanto é só. Já dá pra ter a ideia final de como vai ficar.

Tuesday, September 29, 2020

Post 84 - voltando ao post 41 - continuação

   Depois de cortado as laterais, a parte de baixo e a parte de cima, a colagem é simples com cola de madeira (cola branca) e dois pequenos pregos de cada lado. Uso essa ferramenta de apertar e manter as partes juntas (não sei o nome da ferramenta nem em Ingles, nem em Português), tem elas de varios comprimentos e tamanhos.

   Para tapar burados e imperfeições da madeira uso massa plástica automotiva que nada mais é que resina liquida para fibra de vidro misturada com fibra de vidro moida em pó e cimento (por isso a cor cinza da massa plástica), o endurecedor é chamado de MEK, metil. . . qualquer coisa (eu sabia os nomes cientificos do plástico e do líquido mas não lembro mais). Depois vai lixando como se fosse pintar carro só que com lixa seca (em pinturas de carro é com lixa d’agua e agua).


    A tampa da frente geralmente prefiro o alto falante parafusado por dentro (mas pode ser por fora encaixando pela frente), a madeira não precisa se grossa e é melhor que seja bem rígida para não amortecer pois a tampa da frente é como se fosse uma extensão do cone do alto falante. Assim uso folha de eucatex fino (mais grosso se a caixa for grande).

    Uso esses frisos de aluminio que aqui consigo de graça de janelas que são trocadas nos apartamentos dos predios do conjunto onde moro. Vai pro lixo, eu pego e guardo.

    Depois de tudo colado e reforçado onde necessita de reforço é hora de dar uma pintura inicial só pra tingir a madeira. 

    Nota-se que há um pequeno aumento da litragem da caixa pois as paredes são finas com os reforços engrossando as bordas e cantos.

     A tinta é qualquer uma só para colorir a madeira (acho que até tinta de tingir roupa em agua quente serve), eu tenho uma lata de tinta preta de serigrafia, é uma tinta grossa e um preto forte pra kacete, enraleci um pouco (bem pouco) com bastante aguaraz e tingi a madeira com ela.

   Fica dificil explicar todos os detalhes das medições pois vou estimando observando o que vou usar e como vou usar. Não gosto de deixar parafusos expostos, tento esconde-los o mais que posso de modo a ficarem internos na caixa (os frizos de aluminio os parafusos não irão aparecer).

    Depois continuo, tenho andado sem tempo e muito cançado.

Tuesday, August 25, 2020

Post 83 - voltando ao post 41

    Vou dar um brake em transistores por enquanto pois decidi terminar o amplificador valvulado que comecei lá no post 41 (e varios posts a frente daquele). Apesar de ainda não ter feito a placa definitiva e outros detalhes já dá para construir uma caixa acústica para ele pois será em formato de combo.

    Vou mostrar aqui mais ou menos a maneira que eu faço para construir caixas. No passado eu já construi caixas de tudo quanto é jeito (desde 1973), apesar que minha primeira foi em 1969 de papelão cartão vermelho plastificada transparente grosso com detalhes pretos e as paredes internas de isopor, ficou bonita pra kacete mas o som ficou uma bosta (então essa não conta).

    Tipo de madeira

    Para um cubo de guitarra a maioria usa madeira aglomerada (tabas ou chapas prensadas de serragem com com cola) de 15mm ou 18mm, os fabricantes usam essas por serem mais baratas mas descobri com o tempo que elas não são boas (pesadas e amortecem demais a sonoridade).

   Uma caixa para amplificador de guitarra pode usar madeira mais fina e de preferência mais rígida (não muito macia) contudo as mais rígidas têm tendência a serem mais pesadas e peso é uma coisa que eu quero evitar.

   Uma caixa para contrabaixo as frequências baixas necessitam de mais amortecimento senão o som soa como uma sexta corda de guitarra frouxa soando como contrabaixo, mas uma para guitarra não e é justamente ao contrário, precisam de mais reflexão de som nas paredes internas pois ajuda as frequências médias e agudas.

   Desse modo eu uso uma chapa de compesado mais fina (6mm) colada com uma de compensado mais grosso (12mm) em partes internas onde necessitam reforço. A qualidade do compensado não dá muita diferença no som e assim pode ser um feito de madeira mais barata (se for cobrir com napa ou courvin por exemplo) ou mais leve ou mais pesada etc.

    Acabamento externo

   Para instrumentos geralmente usa-se a napa ou courvin (não sei bem a diferença nos nomes e nem os vendedores sabem) rígida que não estica muito.       No passado na minha cidade (Belo Horizonte) as lojas de sapateiro tinham essas napas aos montes (pretas, vermelhas, mais finas mais grossas) que alguns vendedores chamavam de “back”, eram aquelas cheia de bolinhas enrrugadas exatamente igual a dos amplificadores importados da época (nunca foram muito baratas e eram made in Brazil) mas em anos mais recentes ficou bem mais dificil de encontrar. Cola de sapateiro não tinha frescura pra vender (podia compra até pra cheirar).

    Mas para esse amplificador eu decedi tentar fazer diferente, vou pintar com tinta preta martelada pois onde moro (USA) a napa é cara pra kacete pois é vendida na internet para o intuito de cobrir amplificadores de guitarra com vendedores específico de instrumentos. Mesmo outros materias como o feltro (usado em Rolands) é danado de caro.

   A minha ideia é tentar imitar as caixas acústicas de som que tem sido feitas de plástico ultimamente, o plástico é muito bom para caixas (não era muito usado por ser caro mas novas ligas parecem ter barateado), me lembro do meu som Fisher (Ingles dos anos 60) que tinha caixinhas de plástico e um som excepcional. Imitar pelo menos no acabamento externo.

    Tamanho da caixa

    Por causa do tamanho do chassi que foi aproveitado de chapa de um computador desktop optei por usar um alto falante de 10 polegadas que vou retirar de um cubo Behringer que a caixa é uma merda de construção (e tem dois falantes). O alto falante também não é lá grande coisa, um Jensen italiano de 35W mas vou usar esse mesmo.

   O tamanho do chassi coincide mais ou menos com essa caixa para teclados da Roland KC-60 que tenho (que tem um falante muito melhor) e vou me basear nas medidas dela (praticamente a mesma medida). Ela tem os botões atraz e em cima como a maioria dos cubos, mas o meu chassi os botões são na frente, mas o espaço interno é o mesmo.

 

  Na foto as medidas do cubo da Roland, a parte trazeira o angulo é de 90° graus, pretendo curvar um pouquinho.

 Continua . . .

Tuesday, July 28, 2020

Post 82 - Desenhando um pré com transistores - e os capacitores de acoplamento?


    Bom, até que dá pra chutar os valores sem cálculo nenhum e pra quem já esta prático já olha o esquema e já tem-se a ideia dos valores dos capacitores a serem usados. Mais facil ainda pra um amplificador de guitarra porque a frequência mais baixa gerada por uma guitarra é bem mais alta que a frequência a requerida na entrada para um amplificador Hi-fi.
 
  Sem chutar tanto e nem ser acadêmico demais pode-se determinar os valores com poucos cálculos.

  Os capacitores de acoplamento barram a tensão contínua entre os estágios do circuitos deixando passar somente o sinal alternado, normalmente formam com a impedância de entrada um filtro passa altas de 1ª ordem. Por ser de 1ª ordem o filtro não é muito acentuado, ou seja, a frequência escolhida de corte do filtro deixa passar ainda com bom volume as frequências abaixo (um filtro de 3ª ordem por exemplo cortaria pra valer).

  A corda mais grave da guitarra gera 82hz, assim fixando a frequência de corte em 70hz por exemplo vai passar tranquilo os 82hz e ainda vai ajudar a amenizar qualquer ruido por exemplo de 60hz da rede. Para um contrabaixo poderia-se usar uns 40hz e para amplificador de música uns 20hz (hi-fi menor ainda) para o cálculo. Enquanto mais baixa a frequência escolhida maior o valor da capacitância o capacitor deve ter.

  A fórmula usada (admitindo -3 decibeis de queda de volume na frequência escolhida para o corte) é:

  F = 1 / (2ϖ x R x C) como se quer a capacitância então fica C = 1 / (2ϖ x R x F)

  R será a impedância ( Z ) aproximada do circuito.

  Impedância de entrada

  Usando o desenho do circuito do tópico anterior como exemplo.
 
  Inicialmente determina-se aproximadamente o melhor possivel a impedância de entrada do circuito pré (ou entradas dos demais estágios de um mesmo circuito), o que vai variar de estágio pra estágio. O valor para a impedância é o maior responsavel por uma melhor exatidão no cálculo mas calcula-la exatamente nem sempre é facil.

  Geralmente considera-se a impedância de entrada como sendo simplesmente a soma do resistor stopper R1 com o resistor entre a base e o terra (Rb + ReQ2 neste circuito). Despreza-se a impedância refletida da resistência interna da base do transistor somado com o resistor de emissor.

  De forma simplificada essa impedância refletida pode ser considerada como sendo o beta (Hfe) do transistor multiplicado pelo valor da resistência de emissor. Essa impedância refletida só entrará no cálculo se o valor do resistor de emissor for baixo como neste circuito. (um resistor de 10K por exemplo elevaria a impedância nas alturas e aí passaria a não influenciar no restante do cálculo).

  Considerando um Beta para o transistor de 250 (qualquer BC549 dá mais de 300).

  Zrefletido = 250 x 560Ω = 140000Ω (140K)

  Assim entre a base e o terra tem-se o paralelo entre Zrefletido e Rb somado com ReQ2

  A impedância de entrada será Zin = R1 + (140K // 470K + 1K8)

  1K8 é um valor tão baixo em relação a 470K que pode-se desconsidera-lo para simplificar.

  Calculando o paralelo de resistores (140000 x 470000) / 140000 + 470000) = 107868Ω ≈ 108K

  Estimando R1 = 68K tem-se Zin = 68000 + 108000 = 176000 = 176K

  C = 1 / (2ϖ x 176K x 70hz) = 1 / 6,28 x 176000 x 70) ≈ 0,000 000 013

  Farady  miliF  uF   nF
           0, 000 000 013 ou seja 13nF = .013 poderia ser usado um de .022uF

  Pode-se observar que se considerar uma frequência de corte de 35hz ( metade dos 70hz) a capacitância dobraria (seria de .026uF) e a queda de volume passaria de -3dB para 0db (sem queda), assim .022 seria mais que suficiente.

  Na saida do circuito a impedância calculada ou estimada após o capacitor de acoplamento da saida (tudo que tiver depois dele) deve ser somada com o resistor de coletor (RcQ2 = 8k2) porque o sinal está sendo retirado do coletor (RcQ2 entra no cálculo).

  Geralmente a impedância é sempre mais baixa na saida e é de praxe ter o valor do capacitor de saida umas 10 vezes (pelo menos) maior que o capacitor usado na entrada (aqui seria por exemplo no minimo 22nF ou seja .22uF).