Post 58 - Guibson Falcon - reverberador simplificado, o desafio
Este foi o grande desafio , um reverberador o mais simples e barato possivel. No post de 2017 eu expliquei o funcionamento
e desenhei o reverberador com 3 chips PT2399 que emprega mais ou menos a mesma topologia de circuito usado nos reverberadores Belton com estes 3 chips. Neste é usado apenas dois chips e com alguns artifícios
no circuito tenta-se melhorar a deficiência da falta de mais uma célula de retardo.
O princípio de funcionamento é o mesmo, um primeiro chip atrasa o sinal com um tempo médio e tendo
um oscilador externo lento (LFO) para dar um efeito chorus leve neste sinal, com realimentação tem-se ecos com chorus. O sinal é então injetado em outros dois chips em paralelo, um com tempo muito
rápido e outro com tempo muito lento, todos com realimentação dando varios ecos. Tudo é mixado e injetado de volta na entrada (a explicação detalhada já foi vista no post de
Fevereiro de 2017).
A diferença aqui é que o primeiro chip atrasará o sinal com um tempo rápido (ao invés
de médio) e o segundo em serie com o primeiro com um tempo lento. Para compensar a falta do chip em paralelo o truque será injetar o LFO no primeiro com mais força fazendo o tempo de repetição
do primeiro chip se deslocar com uma variação maior. A tendência seria o sinal ser ouvido com certa desafinação (muito vibrato no chorus), porém o que acontece é que o efeito
chorus é bem menos perceptivel com o tempo de retardo sendo mais rápido, não dará tempo para que o ouvido perceba alguma desafinação. Neste o tempo foi reduzido para cerca de 83milisegundos
com R34 de 4K7 (tipo tempo de de atraso de tanque de molas).
Se não tivesse este vibrato injetado o tempo de retardo seria fixo (como se a distância entre o ponto onde
a onda de sinal bate e reflete o som fosse uma só), o resultado seria uma repetição infinita causando uma especie de microfonia. Variando o tempo varia-se essa distância como se não deixasse
a onda bater num único ponto (está-se movendo esse ponto de lugar).
Logicamente o resultado não é perfeito mas dá para se ter uma sensação de reverber
se a reverberação em cima do sinal seco não for muita alta em volume. Um longo reverber tipo “church” não será possivel. Um “hall” discreto é possivel e o suficiente para dar
profundidade na sonoridade da guitarra molhando aquela sonoridade seca quando tocado ao ar livre por exemplo.
O circuito
Para maior simplicidade o circuito será todo alimentado por 5V (no outro reverberador era 9V e 5V), o circuito
LFO sofre um pouco porque o swing do ciclo da onda senoidal é pequena (mal chega a 4V) mas o suficiente.
Outra mudança é que não há um divisor de tensão externo para fazer o terra virtual
que alimentam as bases dos transistores, cada chip já tem seu divisor interno com dois resistores de 5k6 internamente (alguns chips mais antigos os resistores tinham valor maior), os transistores aproveitam essa alimentação
interna do chip (pino 2 do chip).
Foi conectado junto o pino 2 dos dois chips, isso faz os resistores de 5k6 de cada chip ficarem em paralelos caindo para
a metade do valor o que não é problema. Assim necessita apenas um capacitor de filtro externo ao invés de dois (um pra cada chip). Sendo apenas dois chips isto é possivel, se fosse 3 chips não
seria aconselhavel pois o valor dos paralelos formado cairia demais.
Outra vantagem é que sendo apenas dois chips, apenas um estabilizador 7805 de 100mA (pequeninos parecendo um transistor
BC548) aguentam pois os dois chips juntos não chegam a 80mA.
Outra mudança é que o sinal da guitarra é injetado diretamente no pino 16 do integrado, a sugestão
do datasheet do PT2399 (e em todos os circuitos vistos que usa esse chip) é que se injete no início do filtro. Existe um filtro passa-baixa na entrada, no primeiro chip do esquema é formado por R7, R8,
C4 e C5 (não me preocupei em saber a frequência de corte).
A entrada do filtro é em R7 e não no pino 16, mas contrariando o dadasheet ficou melhor para a reverberação
injetar o sinal direto separado no pino 16. O sinal de entrada enxerga o filtro apenas sendo o C5 que corta os excessos de agudos (ruidos hiss e harmônicos) e as repetições enxergam o filtro completo que
ameniza mais ainda. (eu deveria ter feito assim no circuito de 2017).
Valores críticos e mudanças no circuito
Como eu disse no post de 2017, o chato de circuito reverberador são alguns valores de componentes que ajustam os
tempos de retardo e principalmente o nivel de sinal que entra e sai nos chips.
São críticos os valores de C2 e C10 que é melhor que seja de poliester por terem menor margem de
erro e filtram melhor o ruido hisss (se forem cerâmicos tem que medir a capacitância pra ver se os valores batem próximos do exato).
Os valores de R9 e R17 são os mais críticos do circuito, podem ser resistores comuns de 5% de erro mas os
valores devem ser 51K e 56K (ou bem próximos disto).
O capacitores nos pinos 7, 8, 9 e 10 são todos cerâmicos de .1uF (104) para a facilidade de montagem mas devem
ter os valores entre si aproximados (cerâmicos costumam dar uma margem de erro muito grande), aproximados entre 7 e 8 e aproximados entre 9 e 10, ou seja os dos pinos 7 e 8 não precisam terem os mesmos valores
dos colocados nos pinos 9 e 10. Os que tiverem erro pra mais devem ficar nos pino 7 e 8 e os com erro pra menos nos pinos 9 e 10. Funciona que qualquer jeito mas esses detalhes melhoram a qualidade. São de cerâmicos
por causa do tamanho menor que no desenho dessa placa não cabe capacitores grandes.
O resistor “R” pode estar nessa placa ou na placa principal do pré (neste caso põe um jumper no lugar
de R). A mesma coisa com R41.
R41 e o valor do potenciômetro de volume é que dosarão o nivel de reverberação total
que irá para o circuito. Para este caso em que a entrada é uma válvula a impedância é alta, um valor de R41 menor que 470K fará cair o volume do amplificador, com 470K está previsto
um reverber exagerado, o valor ideal (se todo o circuito corresponder ao esperado) estará entre 560K a 680K, fica a gosto.
Se fosse usar este reverberador com um pré-amplificador a transistores (ou CIs) a impedância é bem
mais baixa e neste caso R41 poderia ter um valor mais baixo (100K ou menos) e para reduzir o volume R40 teria um valor maior.
Problemas que podem ocorrer
Se o sinal de entrada for muito alto R30 e o trimpot R31 não conseguirão barrar a forte realimentação
e o circuito começa a apitar com repetição infinita, logicamente deveria aumentar o valor de R31 mas esta não é a boa solução, a solução é diminuir o ganho
do sinal de entrada.
Um sinal muito alto também faria as repetições de cada chip irem para o infinito (a solução
seria aumentar R9 e R17).
. . . continua